Testemunho da Madre Maria de las Nieves Garcia NOVO !

Testemunho da Madre Maria de las Nieves Garcia  NOVO !


As minhas lembranças de Conchita no Colégio de Burgos  (1966-1968)

 

1- A entrada no colégio de Burgos:

Em 1966, eu, Maria de las Nieves desempenhava naquele tempo o cargo de superiora do nosso colégio de Burgos, cidade que foi o berço da nossa congregação das Concepcionistas Missionárias do ensino, donde a nossa santa fundadora, Carmen Sallés, frequentou em 1892. Em 1966 era um dos maiores colégios da cidade e tínhamos um internato para meninas, o que era comum entre os colégios religiosos. No entanto durante o curso 1966-67, tínhamos ocupadas todos os lugares para as internas, pelo que dei ordens à encarregada para não aceitar mais nenhum novo pedido de adesão.

Foi nestas circunstâncias, que veio ao colégio a mãe de Conchita, Aniceta, para pedir um lugar de interna para a sua filha. Vinha acompanhada de Ascensión de Luís Sagredo, mais conhecida por Chon de Luís e do professor de Economia de la Universidade de Zaragoza e autor do primeiro livro sobre Garabandal, Francisco Sánchez Ventura, duas personagens que tinham sido testemunhas dos acontecimentos de Garabandal desde o início das aparições. Naquela altura não sabia nada sobre Garabandal, nem sequer tinha seguido as noticias que durante aqueles anos tinham aparecido nas principais notícias do país. A encarregada disse então que já não havia vagas. Pediram o endereço do nosso capelão, Dom Manuel Guerra, e foram também perguntar a outro colégio da cidade da qual também tinham boas referências.

Quando foram ao outro colégio tentaram encontrar-se com a superiora que não estava e então foram a casa de Dom Manuel Guerra. Este sacerdote interessou-se pessoalmente pelo caso, pelo que se ofereceu a acompanhar a mãe de Conchita para falar comigo. E sucedeu providencialmente que entre esta primeira visita e a segunda, tinha entretanto renunciado uma vaga de interna a uma das admitidas.

Com estas novas circunstâncias já não havia nenhum motivo para que não a admitisse. E foi então quando me comunicaram que Conchita era uma das quatro meninas videntes de Garabandal. Puseram-me ao corrente do que devia saber para ajudá-la na sua formação humana e espiritual. Decidimos que o melhor para Conchita era que permanecesse no colégio ocultando a sua identidade de forma que as suas companheiras, professoras e irmãs do colégio não soubessem quem ela era. Só sabia a Madre da nossa congregação e eu. Ficou acordado que Dom Manuel Guerra seria o seu confessor e eu a sua formadora. Além disso entregaram-me uma lista das poucas pessoas que podiam visitá-la, no sentido de proteger a menina de curiosos e inoportunos. E como ela foi baptizada com o nome de Maria Conceição, acordamos que dali para a frente no colégio a chamaríamos de Maria, nome que foi utilizado ao longo da sua vida e que ainda utiliza em diversas ocasiões para não se dar a conhecer como Conchita, a vidente de Garabandal.

Conchita esteve no nosso colégio durante todo o curso 1966-67 e no primeiro trimestre do curso seguinte. Só uns dias antes de se ir embora, por ordem da nossa madre, disse as restantes irmãs e suas companheiras do colégio quem era Conchita. Até esse momento ninguém sabia nada sobre ela, o que diz muito do seu carácter, pois soube sempre ficar calada e passar despercebida. Nesse ponto demonstrou ter uma maturidade pouco comum para raparigas da sua idade. Conchita possuía um nível escolar muito baixo, lembro-me das faltas de ortografia que tinha quando aqui chegou. Certamente tinha frequentado a escola da povoação de Garabandal onde, apesar da boa vontade da professora, os meios eram escassos. Naquela altura, na Espanha rural daqueles anos, as obrigações escolares cediam às obrigações do trabalho rurais, como acontecia naquela povoação remota das montanhas cantábricas, ou seja, nem a língua nem a matemática eram assuntos prioritários. Para a pôr em dia, tivemos que dar-lhe uma aula de cultura geral e de mecanografia, que eram estudos muito gerais para adolescentes dos anos sessenta. Conchita era muito inteligente, no entanto possuía um enorme desnível cultural. Fazia-me perguntas muito elementares, que ela desconhecia pelo facto de ter vivido numa aldeia de Santander. Era muito verdadeira e sincera e perguntava-me com toda a confiança. Recordo-me que numa certa ocasião perguntou-me que era isso do comunismo, porque tinha ouvido falar através de Nossa Senhora e que não sabia a que se referia. Isto faz-me lembrar a história dos pastorinhos de Fátima que quando comentavam entre eles sobre aquilo que a Virgem lhes havia dito em relação à Rússia, que “…estenderia os seus erros pelo mundo…”, Francisco comentou que a Virgem parecia estar a referir-se à burra do tio Joaquim que se chamava  «  Russa », e Lúcia pensava tratar-se do nome de uma mulher muito má.

     

2- A vida no colégio

Como já tinha referido antes, Conchita permaneceu no nosso colégio, uma temporada completa e mais o primeiro trimestre do ano seguinte. Bem poderia dizer que o curso de 1966-67 não foi de permanência completa, mas mais do que completa, isto porque durante as férias de verão, Conchita não as disfrutou em completo na sua casa de Garabandal, uma vez que ela preferiu passar um mês das suas férias no nosso colégio.

Conchita encontrou no nosso colégio o acolhimento e compreensão da minha parte. E isso fez-lhe sentir bem, pois desde o princípio das aparições que Conchita sofria muita incompreensão das pessoas mais próximas. Da mesma maneira que as meninas de Garabandal não lhes faltaram pessoas que acreditassem nelas, também nunca lhes faltou a cruz da incompreensão desde o seu início. Conchita fala disso mesmo no seu famoso diário que escreveu entre os anos de 1962 e 1963 e que é muito conhecido, porque este diário foi publicado. A primeira aparição do anjo teve lugar no Domingo, 18 de Junho de 1961, e neste diário pode ler-se o seguinte:

 “ Tinha chegado o dia 19. Quando nos levantamos, as pessoas já tinham começado a falar (…) Todos pensavam de forma diferente. Foi um dia que só se falava disso (…). No entanto, a maioria ria-se de nós. Estas conversas aconteceram às dez da manhã, quando íamos para a escola.”

E tudo aquilo não era nada mais do que um leve princípio do que as esperavam: as sessões da comissão, as viagens ao Bispado de Santander, os interrogatórios…Todas as tardes, em horas possíveis para mim, vinha ter connosco e falávamos as duas. Nunca a obriguei a nada, ela vinha sempre de forma voluntária. Um padre claretiano, P. Joaquín María Alonso, que estava em Fátima a estudar o caso Lúcia por ordem da Congregação da Fé, veio ver-me mais de uma vez. Falou com a Madre geral e disse-me que tudo aquilo que falara com Conchita, o escrevera e que não iria destruir esses documentos até que passassem cem anos sobre o assunto

Para além do diário que eu escrevi na qual anotei todas as conversações que mantínhamos, aconselhei-a, como forma de desabafar interiormente, que escrevesse o seu diário no colégio. Assim o disse. Conservamos as suas duas agendas, que ao ir embora me ofereceu, sem que eu as solicitasse. Nesses escritos encontram-se expressões constantes como estas:

“Cada dia dou menos valor às coisas da terra, e peço a Maria por todos”.

“Quero a Deus sobretudo”.

“Ajuda-me, meu Deus, a fazer sempre a Tua vontade”.

“ Quero-te muito, Senhor”

“Que feliz fazia-me a Virgem ao vê-la!”

“Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espirito Santo, obrigado por me ajudares tanto!”

“Até ontem, nunca tinha pensado que a Virgem era filha de Adão e Eva. Isto faz-me pensar que é filha do meu pai e isso fez-me querê-la ainda mais. Daqui para a frente, a tenho por mãe, amiga e irmã…”

Eu tratava de formar a Conchita com toda a prudência, tratamos da oração, amor a Cristo, vontade de Deus, sobre a Eucaristia, respeito ao próximo, Fé, Confiança… Tudo consta no meu diário. Tive e tenho de Conchita uma opinião bem fundamentada e a quem nunca deixei de falar, por carta, telefone e estando com ela várias vezes em Fátima, onde ela tinha uma casa que recorria, sempre que as suas obrigações familiares o permitiam.

Depois de a ter conhecido durante todo este tempo, posso qualifica-la como uma mulher de grande personalidade, sem protagonismos, delicada, caritativa, humilde, com sentido de humor, e sempre em busca de cumprir com a vontade de Deus, obediente à Igreja. Todas estas características da sua personalidade, transmitias ao actual Santo Padre, numa carta recente que lhe enviei. Desde a fase que a conheci no colégio até agora, nunca deixei de comunicar-me com ela. Une-nos uma grande amizade. Em relação à sua docilidade perante a Igreja, recordo-me daquilo que me contou recentemente, uma amiga comum de Conchita. Disse-me que fez dois anos que esteve com Conchita em Fátima, a rezar o rosário pela noite, na parte exterior do Santuário, num sítio em que ela costuma estar, a uns trinta metros da Capelinha, de maneira que não havia ninguém ao seu redor. Como é sabido, entre dezena e dezena em Fátima costuma-se entoar uma canção religiosa e os fiéis estavam a cantá-la, esta pessoa disse a Conchita:

-         Conchita não dizes na Avé Maria “Mãe de Deus e mãe nossa” como costumam fazer os devotos de Garabandal.

 -         Não – disse ela, porque isso só se pode dizer em privado

E esta pessoa comentava-me com uma certa dose de humor que ao ver que estavam separadas do resto dos fiéis e que portanto ninguém poderia escutar como rezavam as Ave Marias, nada mais do que elas as duas, pensou para si que por “ privado”, Conchita devia entender estar unicamente ela na sua casa e com as persianas fechadas… A estes extremos chega a delicadeza desta mulher, para nem sequer dar a entender entre as suas amigas mais próximas e sem querer adiantar-se ao juízo da Igreja em relação a Garabandal.

Regressemos ao colégio de Burgos. Conchita tratava bem as suas companheiras e era muito divertida. Recordo-me que estando na sua povoação, de férias, escreveu-me uma carta e quando a abri saiu de lá de dentro uma mariposa com uma mola, preparada para sair voando, coisas normais de meninas com vontade de brincar e divertir-se. Quando dissemos às suas companheiras quem era Conchita, apresentei-a quatro meninas sérias e formais para que a acompanhassem durante algum tempo fora do colégio. Duas delas ingressaram mais tarde na nossa congregação e uma delas destacada para as nossas missões em Africa, disse-me que devia a sua vocação religiosa a Conchita.

Quando chegou ao colégio, ela estava a passar por um momento difícil. As pessoas da comissão diocesana, apesar da sua boa vontade, não tinham a mínima psicologia para tratar uma menina, e dai derivaram boa parte das más interpretações, que tanto fizeram sofrer Conchita, a recordação das negações e as dúvidas, tão naturais em todos estes processos. Em relação a este ponto, não tenho nenhum inconveniente em transcrever literalmente o que escrevi no meu diário num desses dias, depois de ter falado com Conchita:

“Nenhuma de nós mentiu (…) Não é verdade que ensaiávamos. Como podem pensar isso? (…) Se voltar a ver a Virgem, ficaria muito triste pelas minhas negações (…) Desde o dia 15 de Agosto tive dúvidas. Via tudo como se tivesse tido um sonho que já tinha passado. Quando neguei, senti no meu profundo interior algo que não me deixa tranquila.”

Em muitas conversações, foram algumas vezes em que Conchita se queixava da curiosidade que as pessoas tinham sobre o Aviso, o Milagre e o Castigo, sem que se preocupassem sobre as mensagens. Ela dizia-me que as pessoas fixavam-se demasiado no Milagre e os milagres em muitos casos não convertem pessoas, como sucedeu nos tempos de Jesus, com os fariseus…. Mas também falamos desses temas, do Aviso, do Milagre e do Castigo, mas não foi o que maior tempo dedicamos. Transcrevo algo que anotei no meu diário sobre o que Conchita falou a esse respeito:

“Sei em que vai consistir o Aviso, mas desconheço “quando”. Virá directamente de Deus, quer dizer, não serão bombas atómicas, pois se fosse assim, isso viria dos homens. O Aviso, servirá de purificação. Se morrer alguém, será pela impressão que possa vir a ter com o Aviso. Será algo que se produzirá no céu. Nossa Senhora disse-me o nome, que não sei o que significa, é uma palavra que começa pela letra “ a”. Tenho que ir ver ao dicionário”.

Assim com esta sinceridade, abria-me o seu coração e naquelas conversações encontrava a paz. Também fazíamos as duas, momentos de oração na nossa capela e quando já não havia ninguém, ajoelhávamos as duas diante do Sacrário. Ela encontrou tanta paz durante aqueles meses, que quando a sua mãe decidiu tirá-la do colégio, na despedida agarrou-se aos meus braços a chorar. Seguiu rumo ao hospital de Valdecilla de Santander, para realizar estudos de enfermaria, que tanta utilidade lhe deu para os seus primeiros momentos na ida para os Estados Unidos. Mas isso é outra história, que só conheço por referências.

 3- Conchita e a Sagrada Eucaristia

Na mensagem de 18 de Outubro de 1961, Nossa Senhora pediu às meninas, e por extensão, a todos nós, que visitássemos com frequência o Santíssimo Sacramento. Desde o início das aparições até ao final, as manifestações eucarísticas de Garabandal foram muito numerosas….. Por fim, na mensagem de 18 de Junho de 1965, Conchita escutou a resposta do céu que dizia: “ Cada vez é dada menos importância à Eucaristia”.

A devoção à Eucaristia, foi uma constante em Conchita, desde a sua infância até aos dias de hoje. Ela foi a que mais promoveu na sua paróquia nos Estados Unidos, a Adoração ao Santíssimo e posteriormente manteve contacto com sacerdotes, apoiando-os, como aconteceu com o Padre Justo Lofeudo, que promove em todo o mundo a Adoração perpétua. Comentava-me uma pessoa que tinha tido a oportunidade de ter estado com ela em Fátima, e que na procissão do Santíssimo que se realiza às quintas-feiras, na qual a Custódia substitui a imagem de Nossa Senhora de Fátima, Conchita tenta sempre arranjar maneira de situar-se mais perto possível da Sagrada Forma, olhando-a com especial devoção. E isto não é nada mais do que a continuação do mesmo comportamento que vivíamos quando na nossa capela do colégio nos ajoelhávamos em frente ao Sacrário.

Precisamente naqueles momentos em que rezávamos juntas na capela, não me sai da memória aquilo que tivemos na véspera do seu aniversário, no dia 6 de Fevereiro de 1967, quando já estavam todas as internas a dormir. Nessa ocasião, Conchita pôs por escrito a sua oração a Nossa Senhora, cujo texto eu guardo e que dou a conhecer agora pela primeira vez, sem esquecer-me de nenhuma palavra:

“Mãe, hoje é o último dia dos meus 17 anos, ao terminar o dia, quero em mim tudo aquilo que seja do teu agrado. Sozinha não consigo, por isso esta noite e para sempre preciso de ti. Em primeiro, quero dar graças por estes 17 anos e quero-te oferecer todas as minhas imperfeições e boas obras. Também te peço perdão por todo o mal que fiz. Com estes 17 anos quero deixar as minhas imperfeições e que são a preguiça, a vaidade, o mau génio com a minha família, os meus caprichos, e a minha falta de caridade com algumas pessoas e também a soberbia. E sobretudo quero deixar-te esta noite, o sacrifício de não voltar a comprar revistas. Todas essas coisas as deixo com a tua ajuda, porque sozinha não consigo. Ao fazer os 18 anos, quero nascer como se nunca tivesse vivido, e em mim, te peço que nasçam essas graças que tanto desejo: a Fé, a esperança e a caridade, amar para sempre em todo o momento, tanto no sofrimento como na felicidade. Que seja dócil com todos os demais, em especial com a minha família. Que seja compreensiva, generosa com Deus, com todos. Que sempre e sobretudo diga sempre a verdade, que participe na Santa Missa com fervor e amor, que reze todos os dias o Rosário, que esteja sempre unida para sempre a Deus. Quero amar-te no meio do sofrimento, da aridez, das incompreensões, das contrariedades e com tudo aquilo que queiras mandar-me, te dou graças por tudo.  

Maria, amo-te e amar-te-ei cada vez mais. Obrigado, muito obrigado por tudo! Conchita”

A devoção de Conchita pela Eucaristia, era uma prática forte, longe de sentimentalismos, e posso afirmar que teve que superar a obscuridade e a aridez em muitas ocasiões. Penso que será mais ilustrativo, reproduzir alguns parágrafos do meu diário sobre o que dizia Conchita a esse respeito, para que entendam bem aquilo a que me refiro:

“Eu gostaria de sofrer pelas minhas coisas que não estivessem misturadas com Garabandal, no entanto está tudo tão ligado que não posso agir sem que apareçam as aparições. Desejo ir à minha terra, e dá-me muita pena ter que deixar isso, onde ao mesmo tempo que sofri, também fui bastante feliz, embora sofrimentos temos sempre (…) Na minha aldeia tinha muito pouco tempo para a oração (…)

Num outro dia, senti grande fervor, mas veio de novo a aridez. A Eucaristia representava naquele momento como algo representativo, e não real. Parecia-me impossível que Cristo esteja ali, e quando vou a comungar olho dissimuladamente aos demais para ver se nas suas caras se reflecte a mesma dúvida. Quando nos dão a bênção com a Custódia, penso que é a mão do padre que nos abençoa e nunca o Cristo real e verdadeiramente presente. “

Era também certo que no meio de toda esta aridez, havia momentos de especial claridade e consolação. Um desses momentos deixei no meu diário: “Senti esta frase: Eu te amo e te perdoo não em algumas coisas, mas todas elas.”. Senti una felicidade muito grande”. Numa outra ocasião, no diário que Conchita escreveu, manifestou esta vivência: “Ao receber a Comunhão senti uma alegria imensa, porque ao receber Jesus, vivi a presença da Virgem como estando com Cristo nesse momento.”

Como dizia, a devoção à Eucaristia, é algo palpável na vida de Conchita até aos dias de hoje. Soube que em um dos últimos verões, foi visitá-la a Fátima um bom sacerdote da Galiza, com quem mantinha uma boa amizade. Numa das conversas, Conchita deu-lhe a conhecer algumas das relíquias que conserva, uma muito importante do padre Pio. Num dado momento, o sacerdote ao relacionar que aqueles objectos materiais eram relíquias por terem estado em contacto com as pessoas santas, recordou-se dos acontecimentos de Garabandal e disse:

 -  Conchita, tu sim, és uma relíquia viva.

 -  Claro que sim – respondeu de imediato-, sou uma relíquia viva, porque recebo todos os dias Jesus Cristo na Sagrada Comunhão.

   

4- Conchita e a sua devoção em relação ao Sacerdócio

Juntamente com a denúncia do Céu, pelo abandono com que tratamos a Eucaristia, Garabandal caracteriza-se também pela sua mensagem sacerdotal. É sabido que neste ponto, a resposta celestial foi terrível:

“O Anjo disse-me que muitos cardeias, Bispos e sacerdotes vão pelo caminho da perdição e com eles levam muitas almas. Quando o Anjo dizia-me isto – continua a ser Conchita a narrar tudo isto no seu diário- a mim dava-me muita vergonha, e o Anjo repetiu-me pela segunda vez: “ Sim, Conchita, muitos cardeais, Bispos e sacerdotes vão pelo caminho da perdição e com eles levam muitas mais almas.. Dizer semelhante coisa em Espanha nos anos sessenta e para além disso adjudicar a autoria da frase a um mensageiro celestial, explica muitas das coisas e da forma como foi tratada Conchita pelas pessoas do clero.  

Desgraçadamente, muito pouco tempo depois dos acontecimentos de Garabandal, não tiveram nada mais do que dar razão a esta denúncia do Anjo, que estava encaminhada a animar os sacerdotes para que se dirigissem decididamente para a santidade, para salvar a sua alma e ajudar outros tantos católicos que deles dependem espiritualmente.

Em modo algum, esta mensagem de Garabandal pode ser interpretada como menosprezo à dignidade sacerdotal. Pelo contrário. Em relação a esse assunto, existe uma nota que Conchita referenciou e que anotei no meu diário com estas palavras: “A Virgem disse-nos que se víssemos um sacerdote e um Anjo, que devíamos saudar em primeiro o sacerdote.”

É certo que Conchita sempre reconheceu a imensa dignidade do sacerdócio, mas também é realidade que as vidas concretas de alguns sacerdotes deixam muito desejar e foi a partir das aparições quando ela começou a dar-se conta dessas diferenças. Em determinada ocasião ela disse-me: “Antes da Virgem dizer-me, eu acreditava que todos os sacerdotes eram bons. Jamais pensei que cometessem pecado mortal. Já conheci muitos, alguns pareciam-me santos ao início, mas logo vi depois coisas que não me agradaram. Compreendi mais tarde como as pessoas podem enganar”.

E naturalmente que nas nossas conversas, durante a sua estadia no colégio, pude comprovar que Conchita não se referia a generalidades, mas a casos muito concretos. Numa determinada ocasião, Conchita comentou-me que a Virgem tinha-lhe dito que a mensagem em que faz referência aos sacerdotes comunicou-a através do anjo, isto porque à Virgem, dava-lhe muita pena dizer tudo isso pessoalmente.

Recordando caso concretos, quero referir-me agora à ligação que Conchita manteve com o Padre Pio, capuchino de Pietrelcina, tão ligado à história de Garabandal. Disseram-se tantas coisas, inclusive de se ter afirmado que Conchita nunca esteve com o padre Pio…Merece a pena que conte algo a esse respeito. Durante os anos que esteve no nosso colégio de “ El Escorial”, eu era a encarregada das nossas antigas alunas. Em certa ocasião, uma delas disse-me que tinha estado em Garabandal e que inclusive tinha visto as meninas a descerem os “ pinos”, em joelhos. Entretanto chegaram à nossa conversa, outras pessoas que não tinham andado no colégio. Contei-lhes sobre muitas coisas que tinha-lhes ilustrado com recurso a fotografias que tenho no meu arquivo. Quando falei da viagem de Conchita a Itália para ver o Padre Pio, que tinha sido organizado por Cecília de Borbón, mostrei-lhes uma foto que tinha sido tirado no coliseu de Roma em que aparece ela, junto de Aniceta sua mãe, com o padre Luna, Cecília de Borbón e outra senhora. E foi então que quando uma das pessoas presentes na nossa conversação, uma das que não eram das antigas alunas do colégio, manifestou que a senhorita que aparecia na fotografia, era ela, pois na altura trabalhava como secretária de Cecília de Borbón.

Naturalmente que Conchita teve ligação com o Padre Pio. Por esse motivo eu mesma escrevi desde o colégio e ele respondeu-me brevemente a 19 de Janeiro de 1968. Guardo essa resposta como uma relíquia preciosa de um dos mais santos da Igreja de todos os tempos.

São tantas as recordações de tudo aquilo que Conchita reza e faz pelos sacerdotes…Durante um tempo, chegava a permanecer na sua casa em Fátima, ela dedicava todos os dias, umas horas, para ir a uma residência de sacerdotes com idade avançada para ajudá-los na limpeza da casa. Como noutras ocasiões acudia a esses pedidos sem dar a conhecer-se e usava sempre o nome de Maria. No entanto houve uma situação que alguém a reconheceu ao ponto de todos os sacerdotes ali residentes saberem que a mulher que varria o chão, era a Conchita de Garabandal. A partir daí nada foi igual. E comentou-me Conchita que quando descobriram quem era, o tratamento mudou, que tinha ficado triste por a terem reconhecido, porque ela sentia-se melhor servindo todos aqueles sacerdotes no anonimato.

Para resumir o conceito que Conchita tinha sobre o sacerdócio, fui buscar aos meus papéis, um escrito que Conchita dirigiu a uma mulher que lhe pediu umas linhas de texto para o seu filho sacerdote. Publicaram no número 26 da revista “Legion” a 26 de Novembro de 1967 e Conchita tinha-as escrito quatro meses antes, quando ainda estava no nosso colégio de Burgos. O texto dizia isto:

 “ Nossa Senhora quer do sacerdote em primeiro lugar a sua própria santificação e que cumpra com os seus votos por amor a Deus e levar muitas almas com o exemplo da oração, já que nestes tempos é difícil de outra forma. Que o sacerdote seja sacrificado por amor às almas em Cristo. Que se retire de vez em quando no silêncio para escutar a Deus, que lhes fala constantemente. Que pense muito na Paixão de Cristo, para que as suas vidas possam estar mais unidade a Cristo Sacerdote, e assim convidar as almas à penitência e ao sacrifício, e também conseguir levar a cruz que a todos manda Cristo.

Falar de Maria, que é a forma mais segura de levarmos a Cristo. Também falar e fazer acreditar aos outros que como existe o Céu, há também o inferno.

Creio que é isto que o Céu pede dos seus sacerdotes”.

Desde muito pequena, teve esta alta estima do sacerdócio, por isso me chamou a atenção que em uma das nossas conversas em que falávamos do isolamento em que tinha vivido em Garabandal, perguntei-lhe o que é que tinha gostado de ver, quando saiu da sua povoação, e ela disse-me: “Ver tantos sacerdotes em Comillas”. Não se referiu nem às pessoas, nem aos grandes edifícios de Santander, nem ao mar, mas sim da alegria de ver tantos sacerdotes juntos. O seu grande amor ao sacerdócio, manifestou-se comigo por diversas vezes.

 

FIM

Traduzido para língua portuguesa pelo apostolado oficial de Garabandal em língua portuguesa

25-01-2013