O Escapulário do Carmo e Garabandal

O Escapulário do Carmo e Garabandal

Em Garabandal, Nossa Senhora apareceu com o título de Nossa Senhora do Carmo, ou Nossa Senhora do monte Carmelo. Um dos símbolos associados a Nossa Senhora do Carmo é a presença do escapulário, como símbolo de protecção e de consagração a Nossa Senhora.Vamos tentar perceber melhor as suas origens.

 

 

 

O Início

 

A Ordem do Carmo foi fundada pelo Profeta Elias, que quase nove séculos antes do nascimento da Virgem Santíssima já prestava culto Àquela que viria ser a Mãe do Messias esperado, simbolizada pela “nuvenzinha”. Um livro muito antigo da ordem comenta a visão de Elias em que mostra a Virgem dirigir-se ao Monte Carmelo em forma de uma nuvem que saía da terra.

Pequeno texto do antigo testamento sobre Nossa Senhora:

"Eu sou a mãe do amor formoso, e do temor, e do conhecimento, e da santa esperança. Em mim há toda a graça do caminho e da verdade, em mim toda a esperança da vida e da virtude. Passai-vos a mim todos os que me cobiçais, enchei-vos dos meus frutos; porque o meu espírito é mais doce do que o mel, e a minha herança vence em doçura o mel e o favo" (Ecl 24, 24-27)

Segundo alguns intérpretes da Sagrada Escritura, Elias virá no fim do mundo - juntamente com Henoc, que também não morreu - para combater o Anticristo. O profeta Elias está indicado no episódio da transfiguração de Cristo, na qual Elias aparece juntamente com Moisés……

  

Na Idade Média:

 

Na  Idade Média, o escapulário era uma espécie de avental que caía na frente e atrás  – “scapulas” – palavra latina que significa ombros, e era usado sobre uma roupa comum, pelos eremitas que estavam estabelecidos no Monte Carmelo, na Palestina, e que deu origem à Ordem do Carmo. Viviam em pequenos eremitérios, somente de muita oração, até que com a conquista da Terra Santa pelos mulçumanos, obrigaram-os a fugir para a Europa. Como já existiam outras ordens do mesmo género na Europa, eles não foram bem recebidos e encontraram grandes dificuldades, passando até pelo risco de extinção.

Foi então que o Carmelita Simão Stock, homem penitente e de grande santidade, foi eleito Superior Geral da Ordem. Angustiado com a situação em que se encontravam os seus irmãos carmelitas, começou a suplicar incessantemente a Nossa Senhora que protegesse a sua Ordem.

 

Na noite de 16 de Julho de 1251, no auge de sua dor, São Simão Stock rezava e a sua ardorosa prece transformou-se num cântico maravilhoso:

Flos Carmeli, Vitis florigera
Splendor caeli, Virgo puerpera,
Singularis. Mater mitis
Sed viri nescia, Carmelitis, Da privilegia
Stella maris.


Flor do Carmelo, Vide florida, Esplendor do Céu, Virgem Mãe Admirável.
Mãe cheia de doçura, Sem conhecer varão, Aos carmelitas Dai privilégios.
Ó estrela do mar.”

 

Assim, neste dia 16 de julho de 1251, enquando rezava no seu convento de Cambridge, Inglaterra, Nossa Senhora apareceu-lhe com o menino Jesus nos braços e rodeada de anjos. Apresentou-lhe, então, um escapulário, dizendo-lhe: “Recebe, filho muito amado, este escapulário da tua ordem, sinal de minha confraternidade. Será um privilégio para ti e para todos os Carmelitas. Todo o que com ele morrer não padecerá do fogo eterno. Ele é, pois um sinal de salvação, defesa nos perigos, aliança de paz e de pacto sempiterno”.

O Padre Simon Maria Besalduch, na sua obra “Enciclopédia Del Escapulario del Carmen”, nota que São Simão pediu à Virgem “um signo, um sinal, da sua graça que fosse visível aos olhos dos seus inimigos”. E que Ela, ao entregar-lhe o escapulário, “declara que o entrega a ele e a todos os Carmelitas como um sinal da sua confraternidade e um sinal de predestinação”.

 

O Segundo privilégio é chamado de “privilégio Sabatino”. Um decreto da Santa Inquisição romana, datado de 20 de Janeiro de 1613, dá aos sacerdotes da Ordem Carmelita autorização para pregar a seguinte doutrina: “O povo cristão pode crer no auxílio que experimentarão as almas dos Irmãos e membros da Irmandade de Nossa Senhora do Carmo, auxílio este, segundo o qual todos aqueles que morrerem na graça do Senhor, tendo em vida usado o escapulário, conservado a castidade própria do estado, recitado o Ofício Parvo de Nossa Senhora, ou se não souberem ler, tiverem observado fielmente o jejum eclesiástico, bem como a abstinência nas quartas-feiras e sábados (excepto se a festa de Natal cair num destes dias), serão socorridos por uma protecção extraordinária da Santíssima virgem, no primeiro sábado que se lhe seguir ao trânsito, por ser o sábado o dia da semana consagrado a Nossa Senhora (Bula sabatina de João XXII. 3, III 1322)

  

Os Santos e o Escapulário

 

Eis aqui alguns exemplos do apreço de Santos ao Escapulário do Carmo:

- São Simão  Stock, que recebeu o Escapulário das mãos da Rainha do Céu, no mesmo dia tocou-o no corpo de um moribundo impenitente, obtendo o primeiro milagre do Escapulário com a imediata conversão do doente.

- Santa Teresa de Jesus com frequência se gloriava de ter o escapulário “ como indigna Carmelita”. E zelava para que suas  religiosas não deixassem de dormir com ele posto. Dirigindo-se a elas, escrevia: “Só posso confiar na misericórdia do Senhor… e nos merecimentos de Seu Filho e da Virgem Maria Santíssima, Sua Mãe, cujo hábito indignamente trago e vós trazeis”.

- Santo Afonso Maria de Ligório não só usava o Escapulário, mas o recomendava  insistentemente aos fiéis. O Escapulário com o qual foi enterrado permaneceu incorrupto no sepulcro, e é hoje venerado num relicário em Marianella, na sua cidade natal.

- São Pedro Claver serviu-se incessantemente do Escapulário do Carmo no seu apostolado com os negros na Colômbia. Conserva-se uma pintura representando-o no leito de morte, com um crucifixo numa das mãos e o Escapulário sobre o peito; em volta à sua cama, muitos negros com o Escapulário ao pescoço, beijando os pés e as mãos do missionário.

- São João Bosco recebeu-o na infância  e difundiu-o durante toda a vida. Enterrado em 1888 com o Escapulário, em 1929 foi encontrado em perfeito estado de conservação, sob as vestes apodrecidas e os mortais mumificados desse grande apóstolo e incomparável educador da juventude.

- São BoaVentura dizia: “Desafoguem o peito diante da Virgem do Carmo os pecadores mais empedernidos: revistam-se do seu Santo Escapulário e Ela os conduzirá ao porto da conversão. Honrem-na com o uso do Escapulário e demais obrigações ou obséquios da Confraria.

 

Fonte: Texto de Plínio Maria Solimeo, A grande promessa de salvação, Artpres, S. Paulo, 2000, p. 51-53. e site, fátima hoje, site: ordemcarmelita

 

 

 

 

 

 

Oração a Nossa Senhora do Carmo

 

Ó bendita e imaculada Virgem Maria, honra e esplendor do Carmelo!   Vós que olhais com especial bondade para quem traz o vosso bendito escapulário, olhai para mim benignamente e cobri-me com o manto da  vossa maternal protecção. Fortificai minha fraqueza com o vosso poder, iluminai as trevas do meu espírito com a vossa sabedoria, aumentai em mim a  fé, a esperança e  a  caridade.   Ornai minha alma com a graça e as  virtudes que a tornem agradável ao vosso divino Filho.   Assisti-me durante a vida, consolai-me na hora da morte com a vossa amável presença e apresentai-me à Santíssima Trindade como vosso filho e servo dedicado;  e lá do céu, eu quero louvar-vos e bendizer-vos por toda a eternidade. 

Nossa Senhora do Carmo, libertai as  benditas almas do purgatório. Amém!    

 

 

UM SINAL DA VIDA CRISTÃ

 

Jesus é o grande dom e o sinal do amor do Pai. Ele estabeleceu a igreja como sinal e instrumento do seu amor. Na vida cristã também existem sinais. Jesus os utilizou: o pão, o vinho, a água, para nos fazer compreender realidades superiores que não vemos e não tocamos. Na celebração da Eucaristia e demais sacramentos (baptismo, confirmação, reconciliação, matrimónio, ordem sacerdotal, unção dos enfermos), os símbolos (água, óleo, imposição das mãos, alianças), exprimem o seu significado e introduzem-nos numa comunicação com Deus, presente através deles. Além dos sinais litúrgicos, existem na igreja outros ligados a um acontecimento, a uma tradição, a uma pessoa. UM DESSES É O ESCAPULÁRIO DO CARMO.

 

 

O ESCAPULÁRIO, UM SINAL MARIANO

 

Um dos sinais da tradição da Igreja, há sete séculos, é o Escapulário de Nossa Senhora do Carmo.

É um sinal aprovado pela igreja e aceite pela Ordem do Carmo como manifestação extrema de amor a Maria, de confiança filial nela e do compromisso de imitar a sua vida. A palavra "Escapulário" indica uma vestimenta que os monges usavam sobre o hábito religioso durante o trabalho manual. Com o tempo assumiu um significado simbólico: o de carregar a cruz de cada dia, como os discípulos e seguidores de Jesus. Em algumas Ordens religiosas, como no Carmo, o Escapulário tornou-se um sinal da sua identidade e vida. O Escapulário simbolizou o vínculo especial dos carmelitas com Maria a Mãe do Senhor, que exprime a confiança na sua materna protecção e o desejo de imitar a sua vida de doação a Cristo e aos outros. Transformou-se assim num sinal mariano.

 

DAS ORDENS RELIGIOSAS AO POVO DE DEUS

 

Na idade média, muitos cristãos queriam associar-se às Ordens religiosas fundadas naquele tempo: franciscanos, dominicanos, agostinianos, carmelitas. Surgiram grupos de leigos associados a eles, por meio das confraternidades.

Todas as Ordens religiosas desejavam dar aos leigos um sinal de afiliação e participação do próprio espírito e do próprio apostolado. Este sinal era constituído de uma parte do hábito: a capa, o cordão, o Escapulário.

Entre os carmelitas estabeleceu-se o Escapulário como o sinal de afiliação à Ordem e expressão da sua espiritualidade.

 

O VALOR E O SIGNIFICADO DO ESCAPULÁRIO

 

O Escapulário funda as suas raízes na tradição da Ordem, que o interpretou como sinal da protecção materna de Maria. Contém em si mesmo, a partir desta experiência plurissecular, um significado espiritual aprovado pela igreja:

  • representa o compromisso de seguir Jesus como Maria, o modelo perfeito de todos os discípulos de Cristo. Este compromisso tem a sua origem no baptismo que nos transforma em filhos de Deus.

Por ele a Virgem Maria nos ensina a:

  • viver abertos a Deus e à sua vontade, manifestada nos acontecimentos da vida;
  • escutar a palavra de Deus na Bíblia e na vida, a crer nela e a pôr em prática as suas exigências;
  • orar em todo momento descobrindo Deus presente em todas as circunstâncias;
  • viver próximos aos nossos Irmãos na necessidade e a solidarizar-se com eles.
  • introduz na fraternidade do Carmelo, comunidade de religiosos e religiosas, presentes na igreja há mais de oito séculos, e compromete a viver o ideal desta família religiosa: a amizade íntima com Deus através da oração.
  • põe-nos diante do exemplo das santas e dos santos com os quais estabeleceu uma relação familiar de Irmãos e irmãs.

Exprime a fé no encontro com Deus na vida eterna pela intercessão de Maria e sua protecção.

 

NORMAS PRÁTICAS:

  • O Escapulário é imposto só uma vez por um sacerdote ou uma pessoa autorizada.
  • Pode ser substituído por uma medalha que represente de uma parte a imagem do Sagrado Coração de Jesus e da outra, a Virgem Maria.
  • O Escapulário compromete com uma vida autêntica de cristãos que se conformam às exigências evangélicas, recebem os sacramentos, professam uma especial devoção à Santíssima Virgem, expressa ao menos com a recitação diária de três Avé Marias.

 

 

FÓRMULA BREVE PARA IMPOSIÇÃO DO ESCÁPULARIO

 

Recebe este Escapulário sinal de união especial com Maria, a Mãe de Jesus, a quem te empenharás em imitar. Este Escapulário te recorde a tua dignidade de cristão a tua dedicação ao serviço dos outros e à imitação de Maria. Usa como sinal da sua protecção e como sinal da tua pertença à família do Carmelo, disposto a cumprir a vontade de Deus e a empenhar-te no serviço pela construção de um mundo que responda ao seu plano de fraternidade, justiça e paz.

 

O ESCAPULÁRIO DO CARMO NÃO É:

  • Um sinal de protecção mágica, um amuleto;
  • Uma garantia automática de salvação;
  • Uma dispensa de viver as exigências da vida cristã.

UM SINAL:

  • Aprovado pela igreja há sete séculos;
  • Que representa o compromisso de seguir Jesus como Maria:
  • abertos a Deus e à sua vontade;
  • guiados pela fé, pela esperança e pelo amor;
  • próximos dos necessitados;
  • orando em todos os momentos e descobrindo Deus presente em todas as circunstâncias;
  • que introduz na família do Carmelo;
  • que alimenta a esperança do encontro com Deus na vida eterna pela protecção de Maria e sua intercessão.