Sobre lo que puede hacer en Fátima

 Faça a devoção Reparadora dos Primeiros Sábados em Fátima

 

Introdução ao tema:

 

“Para impedir a guerra, virei pedir a consagração da Rússia a Meu Imaculado Coração e a Comunhão reparadora nos primeiros sábados”. (Memórias da Ir. Lúcia)

 

Analisando esta frase com um olhar um pouco mais clínico vamos perceber que, a Devoção ao Imaculado Coração de Maria e a Devoção Reparadora nos primeiros sábados estão contidas numa mesma frase, ou seja, uma complementa a outra, embora elas sejam distintas nos seus objectivos.


A primeira vez que Nossa Senhora falou a respeito destas duas devoções em Fátima, foi na aparição de Julho em 1917, após a visão do inferno. Ela fala da Devoção Reparadora, porém, era ainda apenas um desejo de Nossa Senhora que isso acontecesse, só em 1925 então que, a Virgem Maria revela a Lúcia detalhadamente como fazer esta Devoção e explica qual é o seu objectivo.


Para entendermos melhor o contexto histórico deste pedido, vamos verificar a situação sócio-político actual do mundo naquela época, e em que contexto histórico se dava a este apelo.


Foi no dia de 13 de Julho que Nossa Senhora fez este pedido aos videntes Francisco, Jacinta e Lúcia. Que continuassem a rezar o terço todos os dias, que fizessem sacrifícios pela conversão dos pecadores e reparassem os pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria, e em seguida a branca Senhora; “… abriu as mãos, das quais saiu um farol de luz que pareceu penetrar pela terra dentro. Diante dos olhos aterrados dos Pastorinhos espraia-se um imenso mar de fogo em que estão mergulhados os demônios em figuras horríveis e asquerosas, e as almas dos condenados, em forma humana, flutuando sem peso, nem equilíbrio, no turbilhão de labaredas e de nuvens de fumo, soltando gritos de dor e sofrimentos”. Aterrorizados pela visão que acabara de projetar-se na terra, voltam-se com o olhar assustado para Nossa Senhora, que, sem perder a sua serenidade e bondade, porém com um semblante triste, por ser este o retrato actual da humanidade, e diz: Viste o Inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores?” (Memórias da Ir. Lúcia). A esta pergunta e com um tom bastante grave a que Nossa Senhora faz aos Pastorinhos, mostra o quanto que a visão do inferno é fundamental para o entendimento do sentido desta devoção.


Certamente naquela época, esta visão terrível da humanidade passaria um pouco despercebido ao entendimento geral daquelas 3 a 4 mil pessoas que cercavam os Pastorinhos, traduzir o seu significado num sentido mais amplo do contexto social, político e religioso daquela época era quase que uma missão impossível para aquelas três criancinhas, que mal sabiam conversar. Contudo, no decorrer do tempo poderia ser possível uma melhor compreensão dos acontecimentos que marcaram a história da Igreja e da humanidade e qual seria de facto a relação que estes acontecimentos tinham com a Mensagem de Fátima.


Vejamos, em 1917, quando ocorreram as aparições de Nossa Senhora de Fátima, o mundo estava em plena Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Em 1917, Nossa Senhora disse aos Pastorinhos que a guerra iria acabar. Portanto disse-lhes também que,”…se os homens não deixassem de ofender a Deus, no reinado do Papa Pio XI, outra guerra se iniciaria” (Memórias da Ir. Lúcia). E de facto, isso veio a acontecer. No dia 1 de Setembro de 1939 começou a Segunda Grande Guerra Mundial que durou seis anos, até 1945. Não poderia esta segunda guerra mundial ser evitada? Não teria os homens, entendido o pedido de Nossa Senhora em Fátima? Teria sido invenção dos simples e pobres Pastorinhos de Aljustrel? Não teria sido explícita Nossa Senhora nas suas mensagens? No entanto, o desejo de Nossa Senhora era que os homens deixassem de ofender a Deus e que a Segunda Grande Guerra Mundial não acontecesse. “Nós não escutamos a voz do Senhor nosso Deus, conforme todas as palavras dos profetas que ele nos enviou, mas íamos, cada qual, seguindo o desígno do seu coração perverso, servir a outros deuses, fazer o que é mau aos olhos do Senhor, nosso Deus” (Baruc 1, 21-22). Infelizmente, o mundo fechou os olhos ao seu pedido, e agora se vê como que num espelho, mergulhados num grande abismo, refletindo em si mesmo a visão do inferno. Tendo isto como base, constatamos que Nossa Senhora vem mostrar-nos uma linda intervenção de Deus, que introduz como Via de Misericórdia para salvação de toda humanidade, estas duas devoções, a do Imaculado Coração de Maria e a Devoção Reparadora dos Cinco Primeiros Sábados.


Com isso vemos que, Deus é incansável na sua busca pela salvação dos homens que permite Nossa Senhora aparecer ainda por mais três vezes a Lúcia, anos depois na Espanha, onde Lúcia se preparava para assumir a sua Vocação Religiosa. A primeira aparição ocorreu dia 10 de Dezembro de 1925, em Pontevedra. Nossa Senhora e o Menino Jesus apareceram a Lúcia, na sua cela, na casa das irmãs Dorotéias. Foi nesta aparição que Nossa Senhora, mostrando numa das mãos o seu Coração cercado de espinhos, confiou a Lúcia a Devoção Reparadora dos Cinco Primeiros Sábados, como conta-nos Lúcia:

“Apareceu-lhes a Santíssima Virgem e, ao lado, suspenso em uma nuvem luminosa, um Menino. A Santíssima Virgem, pondo-lhe a mão no ombro e mostrando, ao mesmo tempo, um coração que tinha na outra mão, cercados de espinhos.”


- Ao Mesmo tempo, disse o Menino:


“Tem pena do Coração de tua Santíssima Mãe que está coberto de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos lhe cravam, sem haver quem faça um ato de reparação para os tirar”.

- Em seguida disse a Santíssima Virgem:

“Olha, minha filha, o Meu Coração cercado de espinhos, que os homens ingratos a todos os momentos Me cravam, com blasfêmias e ingratidões. Tu, ao menos, vê de Me consolar, e diz que todos aqueles que durante cinco meses, ao primeiro sábado, se confessarem, recebendo a Sagrada Comunhão, rezar o Terço e Me fizerem 15 minutos de companhia, Meditando nos quinze Mistérios do Rosário, com o fim de me desagravar, Eu prometo assistir-lhes, na hora da morte, com todas as graças necessárias para a Salvação dessas almas”.

Após alguns meses desta aparição de Dezembro, Lúcia encontrou um menino no pátio da casa em Pontevedra, quando ia jogar o lixo. Pensando tratar-se de um menino qualquer, Lúcia não reconheceu que era o próprio menino Jesus, como narra ela mesma:

“E indo eu deitar um apanhador de lixo fora do quintal, onde, alguns meses atrás tinham encontrado uma criança, à qual tinha perguntado se ela sabia a Ave-Maria e, respondendo-me que sim, lhe mandei que a dissesse, para eu ouvir. Mas como ela não se resolvia a dizê-la só, disse (-a) eu, com ela, três vezes; e ao fim das três Ave-Marias pedi-lhe que (a) dissesse só. Mas como ela se calou e eu não fui capaz de dizer, só a Ave-Maria, perguntei-lhe se ele sabia qual era a Igreja de Santa Maria. Respondeu-me que sim. Disse-lhe que fosse lá todos os dias e que dissesse assim: Ó minha Mãe do Céu, daí-me o Vosso Menino Jesus! Ensinei-lhe isto e vim-me embora”. (Memórias da Ir. Lúcia)

Vejam, Lúcia não se deu conta que este menino era o próprio Jesus, como foi no episódio dos Discípulos de Emaús, “Não ardia em nós nosso coração quando ele nos falava pelo caminho?” (cf. Luc 24, 13). Porém, Deus é incansável conosco, e seu amor pelos seus filhos é incondicional. Ele não poupa paciência para com aqueles que ainda não reconheceram a sua voz de Bom Pastor, a fim de que nenhuma de suas ovelhas se perca.
A insistência desta devoção levou a uma segunda aparição a irmã Lúcia meses depois em Espanha em 1926. Era dia 15 de Fevereiro em Pontevedra:


“No dia 15-02-1926, voltando eu lá, como é de costume, encontrei ali uma criança que me parecia ser a mesma e perguntei-lhe, então:”


- Tens pedido o Menino Jesus à Mãe do Céu?


“A criança volta-se para mim e diz:”


- E tu, tens espalhado pelo mundo aquilo que
a Mãe do Céu te pediu?


E nisto, transforma-se num Menino resplandecente”. (Memórias da Ir. Lúcia)
Neste momento, Lúcia não teve dúvida que era o próprio Jesus que falava com ela, e diante da interrogação feita pelo menino Jesus, Lúcia desabafa expondo as suas dificuldades em divulgar a Devoção dos Cinco Primeiro Sábados.
Assim conta Lúcia nas suas Memórias:

“Lúcia – Meu Jesus! Vós bem sabeis o que o meu Confessor disse-me na carta que Vos li. Dizia que era preciso que aquela visão se repetisse, que houvesse factos para que ela fosse acreditada, e a Madre Superiora, só, a espalhar este facto, nada podia.
Jesus – É verdade que a Madre Superiora só, nada pode; mas, com a Minha graça, pode tudo. E basta que o teu Confessor te dê licença e a tua Superiora o diga, para que seja acreditado, até sem se saber a quem foi revelado.


Lúcia – Mas o meu Confessor dizia na carta que esta devoção não fazia falta no mundo, porque já havia muitas almas que Vos recebiam, aos Primeiros Sábados, em honra de Nossa Senhora e dos quinze Mistérios do Rosário.


Jesus – É verdade, minha filha, que muitas almas os conheçam, mas poucas os acabam e as que os terminam é com o fim de receberem as graças que aí estão prometidas; e Me agradam mais as que fizerem os cinco com fervor e com o fim de desagravar o Coração de Tua Mãe do Céu, que as que fizerem os quinze, tíbios e indiferentes…”
(Memórias da Ir. Lúcia)


Lúcia falou-Lhe ainda da dificuldade da confissão, de se realizar ao Sábado e pediu-Lhe para ser válida a confissão de oito dias. Jesus respondeu-lhe:
“Sim, pode ser muito mais ainda, contanto que, quando Me receberem, estejam em graça e que tenham intenção de desagravar o Imaculado Coração de Maria”.
(Memórias da Ir. Lúcia)


Lúcia perguntou o que devia fazer quem se esquecesse de formular a intenção de desagravar o Coração Imaculado de Maria. Jesus respondeu:
“Podem formá-la na outra confissão seguintes aproveitando a primeira ocasião que tiverem de se confessarem”.
(Memórias da Ir. Lúcia)


Após isso, Lúcia continuou a encontrar dificuldades em divulgar esta devoção e quase dois anos mais tarde, dia 17 de Dezembro de 1927 em Tuy, Lúcia rezava em frente ao Sacrário, e confessava a Jesus o seguinte:


“… Como satisfaria o pedido que lhe era feito, se a origem da devoção ao Imaculado Coração de Maria estava encerrada no segredo que a Santíssima Virgem lhe tinha confiado”.
(Memórias da Ir. Lúcia)

Jesus com a voz clara fez-lhe ouvir estas palavras:
“Minha filha, escreve o que te pedem; e tudo que te revelou a Santíssima Virgem, na aparição em que falou desta devoção, escreve-o também; quanto ao resto do segredo, continua o silêncio”.

(Memórias da Ir. Lúcia)


Isso explica, porque a Devoção dos Cinco Primeiros Sábados foi difícil para Lúcia divulgar, porque estava anexada na parte onde se encontrava o segredo a que Nossa Senhora pediu que guardassem em silêncio. Só então, em 1927, é que Lúcia ganha impulso para torná-la pública.

 

Como fazer a Devoção ?

 

 

Como viver a Devoção Reparadora dos cinco primeiros Sábados

Esta devoção foi revelada por Nossa Senhora a Ir. Lúcia no dia 10 de Dezembro de 1925 em Tuy, em Espanha. Nesta aparição, Nossa Senhora mostra numa das mãos o seu coração cercado de espinhos, pede-nos que façamos esta Devoção Reparadora dos Cinco Primeiros Sábados, com a intenção de reparar o Imaculado Coração de Maria, nas seguintes condições:

- Confissão Reparadora, isto é, com intenção de reparar o Coração Imaculado de Maria. Deve preceder a comunhão reparadora, mas se tal não for possível pode-se fazer depois, em qualquer dia. Exige-se uma confissão reparadora para cada comunhão reparadora.

- Comunhão Reparadora, quer dizer, comunhão sacramental, recebida nas devidas condições e oferecida em desagravo dos pecados contra o Imaculado Coração de Maria.

- Rezar o Terço, em espírito de reparação. Esta recitação do terço pode ser antes, depois ou no decorrer da meditação.

- Meditar quinze minutos nos Mistérios do Rosário. Pode ser de apenas um Mistério ou de todos os quatros. “ Mistérios, Gozosos, Luminosos, Dolorosos e Gloriosos”.

E para meditar:


.Ler pausadamente a passagem bíblica referente ao mistério.
.Representar, com o auxílio da imaginação, a cena bíblica como se estivesse a ver e a viver.
. Comparar a nossa vida com as lições que Jesus e Maria nos dão nesse mistério.
. Exortar o nosso coração à contrição pelos pecados que ofendemos a Deus, e a compaixão para com o Coração Imaculado, pelas blasfêmias e ingratidões com que é ultrajado sem cessar.

No Primeiro Sábado de cinco meses seguidos, com excepção da confissão, que pode ser num outro dia, desde que no primeiro sábado se esteja em estado de graça para comungar. Os outros actos devem ser cumpridos dentro das 24 (vinte e quatro) horas do primeiro sábado de cinco meses seguidos.

Porquê Cinco Primeiro Sábados?

 

Jesus revela à Irmã Lúcia na noite do dia 29 para 30 de Maio de 1930, enquanto ela estava em oração na capela, qual o motivo de ser Cinco Sábados:


“Minha filha, o motivo é simples: são cinco as espécies de ofensas e blasfêmias proferidas contra o Imaculado Coração de Maria”.

1 - As blasfêmias contra a Imaculada Conceição.


2 - Contra a sua Virgindade


3 - Contra a Maternidade Divina, recusando, ao mesmo tempo, recebê-la como Mãe dos homens.


4 - Os que procuram publicamente infundir nos corações das crianças, a indiferença, o desprezo e até o ódio para com esta Imaculada Mãe.


5 -Os que A ultrajam diretamente nas Suas sagradas imagens.

 

Eis Minha filha, o motivo pelo qual o Imaculado Coração de Maria Me levou a pedir esta pequena reparação a ela, mover a Minha misericórdia ao perdão para com essas almas que tiveram a desgraça de as ofender. Quanto a ti, procura sem cessar, com as tuas orações e sacrifícios, mover-Me à misericórdia para com essas pobres almas.”
(Memórias da Ir. Lúcia)

 

Aprovação da Devoção Reparadora dos Primeiros Sábados

 

A sua aprovação tornou-se pública pelo Bispo de Leiria, D. José Alves Correia da Silva, a 13 de Setembro de 1939, em Fátima. Esta devoção pode ser celebrada, em comunidade ou individualmente.


No caso desta devoção não poder ser celebrada no primeiro Sábado, por algum motivo justo, ausência de padre para confissão ou comunhão pela Santa Missa, poderá ser celebrado no Domingo seguinte, desde que devidamente autorizado por um sacerdote, tal como Jesus revelou a Lúcia.

“Será igualmente aceite a prática desta devoção no Domingo seguinte ao Primeiro Sábado, quando os meus sacerdotes, por justos motivos, assim o concederem às almas”.(carta da Ir. Lúcia ao Pe. José B. Gonçalves, SJ, 12-Jun-1930)

 

Ainda num diálogo da Irmã Lúcia com o Menino Jesus na aparição no dia 15 de Fevereiro de 1926, Lúcia falou a Jesus da dificuldade da confissão se realizar ao Sábado e pediu-Lhe para ser válida a confissão de 8 dias.
Jesus responde-lhe:

“Sim, pode ser de muitos mais ainda, contanto que, quando Me receberem, estejam em graça e que tenham intenção de desagravar o Imaculado Coração de Maria”.(Memórias da Ir. Lúcia)

É bom frisarmos que, os cinco primeiros Sábados são, uma das principais formas de reparar o Coração Imaculado de Maria. O importante é celebrá-lo com total dedicação, tal como Nossa Senhora pediu; comunhão reparadora, confissão reparadora.

 

A Grande Promessa

 

“… Eu prometo assistir-lhes, na hora da morte, com todas as graças necessárias para a salvação dessas almas”. (Memórias da Ir. Lúcia)

 

A quem praticar esta Devoção nas condições exigidas, Nossa Senhora promete assistir está alma na hora da morte, com todas as graças necessárias à salvação. É uma promessa que só se cumpre, com o cumprimento satisfatório à que esta Devoção inspira. É como um corredor olímpico, que só chega à medalha, se fizer com eficiência todo percurso exigido. É um prêmio, uma grande graça, e não uma troca de favores, assim eu faço-a por amor, por amor a Nossa Senhora e por amor a tantas almas que vão para o inferno, por não ter ninguém que reze por elas.

Pouco tempo antes de Jacinta morrer, disse Irmã Lúcia

“Diz a toda gente que Deus nos concede as graças por meio do Imaculado Coração de Maria; que lhes peçam a Ela; que o coração de Jesus quer que, ao Seu lado, se venere o Coração Imaculado de Maria; que peçam a paz ao Imaculado Coração de Maria, que Deus Lha entregou a Ela. Se eu pudesse meter no coração de toda gente o lume que tenho cá dentro no meu peito a queimar-me e a fazer-me gostar tanto do Coração de Jesus e do Coração de Maria”.

Não se trata aqui, de uma devoção para alcançarmos graças materiais ou particulares, nem mesmo fazer tal devoção por um único interesse de ser salvo. Trata-se de reparação, em mudar a nossa vida arrependendo-nos de todos nossos pecados, de interceder pelos pecadores deste mundo pelas almas do Purgatório e consolar os Corações feridos de Jesus e de Maria.