Entrevista ao Padre Valentim Marichalar, pároco de Garabandal no tempo das aparições

Entrevista ao Padre Valentim Marichalar, pároco de Garabandal no tempo das aparições

Após um longo período de silêncio, o antigo pároco de Garabandal que foi uma das principais testemunha dos acontecimentos ocorridos naquela povoação, deu-nos o seu primeiro testemunho público acerca destes eventos.

 

A 15 de Junho de 1976, em Garabandal, a revista “Needles” teve o privilégio e a honra de poder entrevistar o padre Valentim Marichalar, pároco da aldeia de Garabandal no tempo das aparições entre 1961 a 1965. Esta foi a sua primeira entrevista pública, uma vez ter estado durante alguns anos impedido de discutir estes assuntos.

A sua boa vontade para responder a estas questões, mostra uma nova abertura por parte do Bispo de Santander, relativamente aos eventos que tiveram lugar naquela aldeia espanhola. Esta nova oportunidade de realizar uma série de perguntas ao padre Valentim Marichalar, tem um enorme significado para todos os garabandalistas, pelo facto de ele ter sido uma importante testemunha das aparições ocorridas em Garabandal. O padre foi um observador inteligente, uma testemunha imparcial e um examinador astuto que procurou a verdade, registando de forma diária todos os acontecimentos ali ocorridos. Ele formulou o seu julgamento final sobre o assunto tendo como base os seus fundamentos em teologia, as suas observações dos acontecimentos e da familiaridade que possuía com as videntes e respectivas famílias.

O Padre Marichalar utilizou diversos métodos para questionar as videntes, transmitindo tudo que analisava ao Bispo local. Apesar de não ter sido interrogado quer pelo Bispo, quer pela comissão que “analisou” os acontecimentos ali ocorridos, o padre Marichalar realizou mesmo assim uma série de investigações profundas, sentindo que este trabalho seria aquilo que era desejado pela comissão para que o assunto fosse resolvido o mais rapidamente possível.

Ele detalhou de forma precisa todas as provas que Nossa Senhora lhe deu como prova da autenticidade das aparições. Ele apoiou-se também na espiritualidade das meninas e da povoação e mencionou uma série de factos e situações que ocorreram naquele período e que não constam nos livros sobre Garabandal. Apesar de não ter sido testemunha ocular do milagre da hóstia que ocorreu em Garabandal a 18 de Julho de 1962, relatou mesmo assim o testemunho de outros sacerdotes que foram testemunhas desses factos nesse dia em Garabandal.

Foi também bastante significativo saber sobre a sua vontade de querer que tanto o Aviso como o futuro Milagre acontecessem rapidamente, para desta forma poder ” fechar” o assunto, colocando estas aparições no mesmo patamar das aparições de Fátima e Lourdes.

 

 

 

As videntes e os habitantes

 

Intrínseco nas suas investigações, estava o conhecimento profundo que possuía em relação aos habitantes de Garabandal, incluindo as meninas videntes. Ele explica que através do seu método de investigação, tentava detectar algum tipo de fraude ou mudanças radicais nas crianças, espirituais e pessoais. Numa das suas respostas, ele defende que o primeiro incidente (a aparição do Anjo), não foi de forma alguma uma alucinação trazida através da história de S. Miguel.

Pergunta: Era o pároco do Cosío e Garabandal antes da época das aparições?

Resposta: Sim, em 1942 fui destacado para ser pároco das paróquias do Cosío e de Garabandal. Isso foi quase 20 anos antes das aparições. Como pároco, eu baptizei todas as meninas e dei-lhes a todas a primeira comunhão. Casei também os pais de Lolita (Mari-Loli). Estive ainda mais 15 anos depois dos acontecimentos terem acontecido. Naquele tempo, a viagem do Cosío a Garabandal era bastante difícil.

Pergunta: Antes das aparições, ensinava às meninas a catequese?

Resposta: Sim, catecismo. Dava-lhes duas vezes por semana. Num dia, estávamos no mês de Junho, falei-lhes sobre o Sagrado Coração de Jesus e das doze promessas do Sagrado Coração. Eu apenas não falei de duas ou três dessas promessas, e por isso disse-lhes:”… o resto será falado no Domingo.” Depois disse para um rapaz que estava de pé, e perguntei-lhe:” Tens algum anjo da guarda?” “ Eu não sei o que é um anjo da guarda,”respondeu o rapaz. Depois eu expliquei-lhe. No Domingo a seguir, o anjo apareceu às meninas. Por isso, muitas pessoas diziam que pelo facto de ter falado sobre o anjo da guarda, as meninas diziam terem visto o anjo,. No entanto, só tinha falado quase todo o tempo sobre o Sagrado Coração de Jesus. Em relação ao anjo da guarda, apenas lhes transmiti aquelas palavras que referenciei anteriormente. Sobre o Sagrado Coração, falei-lhes durante toda a manhã.

Pergunta: Depois das primeiras aparições, o que é que as meninas relataram-lhe?

Resposta: As meninas disseram-me que tinham ouvido um som e um vento forte, mas nesse dia não estava nenhum vento. Também disseram que viram uma luz. Nesse primeiro dia, elas não viram mais nada a não ser esses pontos que falei agora. Andaram assim durante alguns dias, dois ou três, e foi só no terceiro dia que viram o anjo de forma clara. Na primeira aparição, elas não viram o anjo, apenas viram uma luz muito brilhante e sentiram o vento. O Anjo não falou nada antes do terceiro dia.

 

 

Pergunta: Durante as aparições, que métodos costumava utilizar para realizar os interrogatórios às meninas?

Resposta: Depois das aparições acontecerem, eu levava as meninas, uma a uma, para a sacristia. Perguntava-lhes sobre detalhes relacionados sobre a forma como viram Nossa Senhora, e cada uma delas dizia exactamente a mesma coisa.  Tentava-as confundir de propósito:” Oh, não, a outra tua amiga tinha-me dito que Nossa Senhora trazia o menino Jesus que tinha calçado uns sapatinhos”. Eu dizia isto, para tentar contradizê-las umas às outras, mas nunca consegui encontrar nenhuma contradição; elas descreviam sempre todos os pormenores da mesma forma. Enviava todos os dias, despachos para informar o Bispo sobre aquilo que ocorria em Garabandal. Cheguei a mandar muitos deles, mais ou menos seis livros deste tamanho (nesta altura, o padre levantou as mãos doze centímetros acima da mesa, para indicar a dimensão dos livros que enviou ao Bispo). Estes livros encontram-se actualmente no gabinete do Bispo.

Pergunta: Tem cópias desses despachos?

Resposta: Sim, tenho.

Pergunta: Durante as aparições, alguma vez viu as meninas a atravessarem, em pleno ar, o pequeno riacho que se situava em frente á Igreja?

Resposta: Sim, vi-as a atravessar de forma muito rápida, no ar não, nunca vi. Elas moviam-se de forma muito rápida! (nota do editor: O ênfase expresso neste comentário é para nos demonstrar que o movimento das meninas era extraordinariamente rápido. Não existe nenhuma dúvida sobre este acontecimento, devido à excitação da voz do padre Valentim quando dizia:” mui rápido”. Talvez ele próprio não se tenha apercebido da ligeireza e levitação dos passos das meninas, devido à multidão que as cercavam naqueles momentos.)

Pergunta: Antes das aparições, como pároco de Garabandal, reparava se estas meninas eram melhores que as restantes?

Resposta: Antes, eram iguais como as restantes da aldeia.

Pergunta: Durante as aparições, notou se elas demonstraram possuir algum progresso espiritual?

Resposta: No início, no primeiro ano, sim, muito. Depois, quando as pessoas de fora começaram a chegar, elas mudaram mas menos. Quando a “avalanche” de pessoas começou a diminuir, elas voltaram a melhorar significativamente.

 

Pergunta: Quando as meninas tinham 18 ou 19 anos de idade, sentiu que elas eram mais espirituais que as restantes?

Resposta: Não eram muito diferentes das restantes, isto porque na aldeia de Garabandal, todas as raparigas eram muito boas pessoas.

 

Sinais de prova

 

O padre Valentim, tal como muitas outras testemunhas dos acontecimentos de Garabandal, pediram a Nossa Senhora alguns sinais que servissem de prova para provar a autenticidade das aparições. Em muitas situações, como a do padre, esse sinal passava por receber o crucifixo a beijar pelas meninas, em estado de êxtase. O padre Valentim relata dois episódios que acredita terem sido sinais dados por Nossa Senhora.

Pergunta: Alguma vez pediu a Nossa Senhora que lhe desse um sinal como prova?

Resposta: Sim. Nossa Senhora deu-me um desses sinais à uma da manhã. Nesse dia, estava demasiado cansado e disse para mim:” Bem, espero que Nossa Senhora possa esclarecer-me sobre isto. Não consigo andar assim durante muito mais tempo.” Pedi-lhe que se isto fosse verdade, que uma das meninas viesse ter com ele, nesta mesma noite enquanto estava a dormir para me acordar e dar a beijar o crucifixo. Depois disto, fui para a cama a pensar:” Vamos ver como isto vai ser clarificado.” A meio da note, Mari-Loli, em êxtase, acompanhado pelo escritor Sanchez Ventura e por um grupo pequeno de pessoas, bateu na porta do meu quarto. Quando abri a porta, ela voltou a face para mim, sorriu-me e depois deu-me o crucifixo a beijar. Este foi um sinal muito forte para mim. Como é que a rapariga sabia que estava naquela casa e naquele quarto? Seria muito difícil alguém saber em que local ou em que família estava a residir, uma vez que eu tinha chegado à aldeia, três dias antes do esperado. Todos pensavam que estava a residir na minha antiga direcção de Garabandal. Tendo como base tudo isto, como era possível ela saber em que quarto estava, uma vez que naquele corredor ainda havia mais quatro quartos, todos idênticos? Eu estava no terceiro, naquele em que ela bateu. Como é que ela sabia que estava ali?

Pergunta: Teve mais alguma pergunta?

Resposta: Provas, sim. Uma vez ter saído de Garabandal para outra aldeia, como espécie de castigo, eu disse para mim:” Bem, o que irá mais acontecer, não estarei lá para ver?” Fiquei preocupado. No dia em que ia deixar Garabandal, as meninas vieram ter comigo e disseram-me que durante uma determinada data, deixaria de haver aparições, qualquer coisa como dois meses. Eu respondi: “ Bem, se não puder regressar a Garabandal, não serei capaz de ver, veremos o que irá acontecer.” Depois, parti. Mais tarde, regressei a Garabandal na data exacta que as meninas tinham anunciado que as aparições voltariam a acontecer.

 

A comissão

 

Don Valentim Marichalar foi uma das principais testemunhas dos fenómenos ocorridos em Garabandal. No entanto, ele nunca foi questionado pelo Bispo de Santander nem pela comissão encarregue de investigar estes acontecimentos. Ao padre foi pedido que fizesse um anúncio sobre a “sobrenaturalidade” dos eventos. Nesta entrevista ele explica a razão de não ter assinado nessa altura a declaração sobre a prova da sobrenaturalidade. Em relação à comissão, ele sentiu que os examinadores estavam demasiado ansiosos para acabar com este fenómeno de Garabandal, de uma forma ou de outra.

Pergunta: Alguma vez teve dúvidas sobre estes eventos?

Resposta: No geral, nenhuma dúvida. Em relação à supernaturalidade, eu não posso arriscar dizendo categoricamente que sim, que é supernatural. Por outras palavras, diria que estou certo disso em cerca de 80%, mas por enquanto não posso comprometer-me totalmente em relação a este assunto. Como nem sempre estava lá, não podia supervisionar tudo. Por isso, não posso assegurar que tudo aquilo que aconteceu teve 100 % de supernaturalidade, percebe? Mas dúvidas, não. Eu não tenho qualquer dúvida.

(Nota do editor: A declaração de supernaturalidade destes eventos, tem que vir da parte do Bispo de Santander e não do pároco local. Por essa razão, o padre Marichalar não poder afirmar que os acontecimentos são 100 % supernaturais, porque se o fizesse estaria a passar por cima da decisão do Bispo.)

Pergunta: Alguma vez foi interrogado pelo Bispo de Santander ou pela comissão?

Resposta: Nunca fui interrogado pelo Bispo. Ele apenas pediu-me uma vez para afirmar se o acontecimento era supernatural ou não. Como já disse, ele queria que eu assinasse uma declaração, se era uma coisa ou a outra.  Eu disse que ainda não sabia. Numa outra ocasião, a comissão tentou oferecer-me um período de férias. Eles sugeriram: “Só para que as pessoas não pensem que queremos ver-nos livre de si, envie um pedido por carta a requisitar férias.” Eu respondi:” Olhem, se vocês me pedirem para ir, eu vou, mas eu não estou a pedir nada.” Tudo levava a crer que me queriam enganar. Não sei.

 

Eu tinha muito respeito pelo Bispo, mas quando eu disse “ não”, parecia que tinha um pensamento que me dizia “ diz não“, e eu dizia “ não”. Compreende?

Pergunta: Achou de alguma forma que houve má conduta no trabalho realizado pela comissão?

Resposta: Sim. Nada foi feito em condições. Um psiquiatra de Madrid veio apenas uma vez a Garabandal para analisar as meninas. Ele chegou por volta das 10:00 da noite, e as meninas nessa altura já estavam na cama. Ele disse-me:” Olhe, eu fui forçado a vir aqui.” Eu questionei-o:” Quer ver as meninas, mesmo sabendo que já estão na cama? Bem, penso que ele viu pelo menos uma delas, mas escreveu no seu relatório que viu todas as meninas, e isto era uma mentira. Não me lembro do seu nome. Ele era professor em psiquiatria.

Pergunta: Conchita disse que durante a fase dos interrogatórios, nunca foi chamada a fazer juramento sobre a Bíblia, soube deste facto?

Resposta: Sim, ela falou comigo sobre isso, mas tentaram sempre enganá-la. Eles tentaram durante horas que ela falasse coisas que não queria dizer, mas a menina era inteligente. No entanto, houve momentos que conseguiram aquilo que queriam, no sentido de obterem negação em relação a determinados assuntos. Forçaram-na a dizer coisas que não eram verdade para ela.

Pergunta: Alguma vez fez o juramento?

Resposta: Nunca. Temos que entender que a comissão estava a fazer de tudo aquilo que era possível para acabar com estas coisas, quer por meios lícitos ou ilícitos. De qualquer maneira, eles queriam terminar com tudo aquilo, porque simplesmente não acreditavam em nada do que tinha acontecido.

Pergunta: Porque é que a comissão do Bispo estava tão contra as aparições e porque razão queriam tanto suprimir tudo isso?

Resposta: Pela velha razão, trabalho tinha que ser feito e eles queriam evitar ter trabalho.

Pergunta: Eles nunca tiveram sensibilidade em relação aos desejos de Nossa Senhora?

Resposta: Não. Mesmo dessa maneira, a mensagem de Nossa Senhora estava a ser cumprida. Digamos que eles acompanharam de forma directa a profecia na qual dizia que muitos Bispos e sacerdotes estavam a ir no caminho da perdição.

 

 

 

O milagre da hóstia, o Aviso e o futuro Milagre


 

O milagre da hóstia, o Aviso e o futuro Milagre

Sentimos a necessidade de fazer perguntas sobre o milagre da hóstia, de forma a constituirmos argumentos suficientemente fortes que provem a sua veracidade e autenticidade. O padre não testemunhou este milagre, mas faz reportar testemunhos de outros sacerdotes que estiveram presentes nesse dia. As restantes questões serão realizadas tendo em conta o assunto da própria mensagem, do Aviso e do futuro Milagre.

Pergunta: Viu o milagre da hóstia?

Resposta: Não, não vi. Nessa noite, pelo facto de ser muito tarde e estar muito cansado, fui para a cama. Mas, oito padres estavam presentes, um era jesuíta e um outro era um sacerdote de uma diocese. Eu disse-lhes:” Vigiem e estejam atentos, para verem o que se vai passar.” Pouco tempo depois de ter ido para a cama, vieram chamar-me para me dizer:” Aconteceu mesmo!!”, e eles foram testemunhas vivas desse acontecimento. O milagre aconteceu tal e qual como Conchita tinha falado nesse dia. Aconteceu quando faltavam 15 minutos para a uma da madrugada, mas como o relógio estava uma hora adiantada oficialmente o milagre aconteceu no mesmo dia que tinha sido predito.

 

Pergunta: De que forma as notícias sobre o milagre da hóstia lhe afectaram?

Resposta: Fiquei muito impressionado, mesmo muito!

Pergunta: Que parte da mensagem lhe impressiona mais?

Resposta: A parte mais importante para mim era saber que elas tinham um total respeito pelos sacerdotes, considerando-os como santos. E quando ouvi dizê-las na mensagem  “ que a Igreja está no caminho errado, os Sacerdotes, os Bispos, os Cardeais, para mim isso era decisivo, porque todo o respeito que as meninas tinham pelos sacerdotes, era impossível que elas tivessem dito e feito tudo aquilo por elas próprias. Por outras palavras elas acreditavam que os sacerdotes não pecavam.

Pergunta: Na sua opinião, como é que os Bispos, Cardeais e sacerdotes, de acordo com a mensagem, estão no caminho da perdição?

Resposta: É muito claro, porque estão a fazer tudo ao contrário. Estão a negar a Eucaristia, a virgindade da Virgem Maria e a santidade do Papa. Eles estão a negar tudo isso.

Pergunta: Acredita que a profecia dos Bispos, Cardeais e Sacerdotes estarem no caminho da perdição, já se está a cumprir?

Resposta: Sim, está a cumprir-se à letra. Era impossível para as meninas saberem em relação a tudo isto, porque até eu naquela altura nunca pensava que essas situações existiam.

Pergunta: Os eventos de Garabandal contribuíram alguma coisa para que fosse um melhor sacerdote?

Resposta: Claro que sim.

Pergunta: Está ansioso pelo Aviso e pelo Milagre?

Resposta: Eu desejo muito por eles, com certeza., isto porque Nossa Senhora não deixa as coisas penduradas no ar. Terão que se concretizar um dia. Ela tem que terminar este assunto.

 

 

 

 

Outros vários incidentes

 

Através desta entrevista que a “Needles” realizou, aprendeu-se um pouco mais sobre outros incidentes que ocorreram em Garabandal e que não estão escritos em nenhum livro. Para além disso, uma vez que o padre Valentim conheceu de perto o padre Luís Andreu, e falou com ele pouco tempo antes de morrer, ele estava apto para nos dar o seu discernimento sobre a sua personalidade.

Pergunta: Lembra-se de algum incidente que tenha acontecido em Garabandal durante o tempo das aparições e que não está relatada em nenhum livro?

Resposta: Sim, existem muitos detalhes, mas não faço ideia se eles estão ou não em algum livro. Por exemplo, durante uma aparição, as meninas apresentaram a Nossa Senhora um crucifixo de madre pérola. Ouviu-se as crianças dizerem:” Oh, é um crucifixo de Burgos.” E de facto era. Era precisamente uma representação de um crucifixo feito em madre pérola que é muito venerado em Burgos. Como é que as crianças poderiam saber sobre este pormenor? Mesmo eu não sabia que existia um crucifixo desses! Num outro dia, quando Conchita estava em êxtase, ouvia-a dizer:” Oh, estão aqui dois sacerdotes presentes, o padre Valentim e um outro.” Nessa altura, virei-me para trás de mim, mas não via nenhum padre. Quando a aparição terminou, um homem vestido à civil, bateu na minha porta para dizer-me que era padre. A rapariga tinha dito que havia dois padres. Como é que ela podia saber que estava ali outro padre, se ele estava vestido à civil?

Uma vez, um padre dominicano veio de autocarro a Garabandal. Era de Oviedo. Ele veio, porque havia pessoas que queriam que ele viesse lá. Ele veio bastante divertido e brincava muito com a situação. Depois, uma das meninas começou a oferecer o crucifixo a toda a gente para que o beijassem. Ele mais tarde acabou por me dizer que naquela altura ele pensou assim:” Se isto for realmente supernatural, a menina que está em êxtase que volte ao seu estado normal assim que chegar à minha beira.” Quando ela chegou á sua beira, a menina voltou ao estado normal. Nessa altura, ele retirou-se e começou a chorar. As pessoas que o viram a chorar, começaram a brincar com ele:”Estás a brincar? Porque é que estás a chorar? Ele respondeu: Por favor, deixem-me estar, estou muito sério. “ Existem centenas de casos como este.

Pergunta: É sabido que o padre Valentim conheceu o padre Luís Andreu, a única pessoa que viu em adianto, o grande milagre que um dia há-de acontecer em Garabandal. Pode-nos dizer o que ele lhe disse no dia em que viu o milagre e morreu?

Resposta: Sim, o Padre Luís veio aqui muitas vezes. Ele nunca dizia uma palavra. Ele vinha, observava os eventos, tirava notas e ia embora. Ele nunca falou nada comigo a não ser nesse último dia. Nesse dia (8 de Agosto de 1961), tive que sair para ir fazer uma despedida a uma sobrinha, que era uma freira. Quando o padre Luís chegou ao Cosío, eu disse-lhe: “ Está aqui a chave da Igreja de São Sebastião onde podes realizar a Missa. Não estarei durante o dia de hoje, se quiseres podes ficar lá.” Ele regressou ao Cosío por volta da meia-noite. Na praça do Cosío ele disse-me:” Este dia foi para mim uma prueva certíssima!” Depois saiu e partiu para Reinosa, acabando por falecer durante a viagem de regresso a casa. Estas foram as suas últimas palavras que me dirigiu. Fiquei bastante surpreso, porque até aí, ele nunca tinha falado comigo.

 

 

No final da entrevista, perguntamos ao padre Marichalar:

Pergunta: Quer dizer alguma coisa para todas as pessoas que promovem a mensagem de Garabandal?

Resposta: A mensagem deve ser divulgada por todo o mundo. Claro que o mais importante é fazer cumprir a mensagem. Não interessa de nada divulgarmos a mensagem por todo o mundo, se na realidade a não cumprirmos.

 

A revista Needles quer expressar os mais sinceros agradecimentos ao Don Valentim Marichalar pelo privilégio que tivemos nesta entrevista. Ao discutir estes assuntos com o padre Marichalar, ganhamos maior conhecimento profundo sobre os acontecimentos ocorridos em Garabandal nesta grande aparição Mariana. O Padre consentiu responder a uma série de questões que serão úteis tanto para agora como para o futuro.

 

FIM

 

 

Traduzido para língua portuguesa pelo apostolado de Garabandal, 2011