Reflexões do Padre católico Joseph Pelletier sobre Garabandal e o purgatório

31-10-2010 21:40

INTRODUÇÃO

Estas mensagens que vieram para todos nós através das aparições de Lourdes, Fátima e Garabandal, não são revelações doutrinais e elas nada acrescentam no nosso depósito da fé. Elas representam directivas e orientações dadas por Deus para o Seu povo, indicando-nos sobretudo, tudo aquilo que devemos fazer sobre as práticas devocionais e religiosas que necessitamos adoptar e manter em determinados e precisos momentos históricos. Mesmo os próprios elementos proféticos encontrados nestas mensagens estão directamente relacionados com o propósito de direccionar as pessoas para Deus.

Olhando à luz destes acontecimentos, verificamos que a mensagem de Garabandal é muito significativa. Ela aparece como um preventivo antídoto que foi preparado por um Deus omnisciente e que nos ama profundamente, tendo em vista uma tempestade e agitação que estava prestes a “ rebentar” na Igreja. Apesar dessa “tempestade” ter tido o seu início alguns anos antes da realização do Concílio Ecuménico (Concílio Vaticano II, Outono de 1962), a “tempestade” apenas se manifestou ela própria de uma forma séria, durante o próprio Concílio. Essa mesma “tempestade” cresceu de intensidade no Concílio nos primeiros anos que se seguiram à sua finalização.

Deus antecipou todos estes acontecimentos e deu o remédio para a Sua Igreja através das mensagens de Garabandal. Mais de duas mil aparições ocorreram entre meados de 1961 e finais de 1965. As mensagens recebidas através destas aparições deram-nos a resposta a todos os problemas que começavam a preocupar a Igreja. Maria e o rosário, a Eucaristia e o Sacerdócio foram de longe os pontos que sofreram maior ataque e fúria. O purgatório e o inferno também sofreram o ataque violento, por parte de alguns que apresentavam novas formas de pensamento. Todos estes pontos da doutrina católica referidos atrás foram afirmados em Garabandal de uma forma ou de outra. Deus, através de Maria, quis transmitir-nos para mantermos a nossa convicção e crença tradicional, para mantermos as nossas práticas religiosas que até esse tempo eram praticadas.

 

UM ENSINAMENTO INDIRECTO

 

A mensagem sobre o purgatório foi falada em Garabandal de forma indirecta através das próprias acções das meninas, bem como também através do conteúdo da própria mensagem. Foi uma lição comunicada não através de palavras, mas através de acções que foram vividas na prática naquele tempo. Nossa Senhora conduziu por muitas vezes as meninas videntes em estado de êxtase para rezar pelas almas do purgatório. Implicitamente na mensagem estava o ensinamento que todas as almas que estão salvas, não vão directamente ou de forma imediata para o céu. Algumas delas não estão prontas para ver Deus e devem ser purificadas, fazendo por isso a expiação dos seus pecados num lugar intermédio que apropriadamente designamos por purgatório ou lugar de purgação.

 

Existe muito mistério na forma como Deus opera. As escrituras dizem-nos que os Seus caminhos não são os nossos caminhos. No entanto, nós podemos muitas vezes ver uma certa adequação naquilo que Deus faz. Isto aplica-se nas aparições bem como em outras situações. Em Garabandal, o rosário e a oração pelas almas no purgatório foram partes importantes da mensagem que foi frequentemente dada a conhecer através das acções das meninas em estado de êxtase. Por outro lado, estas práticas religiosas já eram muito utilizadas pela própria população da aldeia de Garabandal.

 

GARABANDAL E AS POBRES ALMAS

 

As pessoas de Garabandal têm tido uma longa tradição no que diz respeito às orações pelas almas do purgatório. O mês de Novembro, que é dedicado à oração pelas almas, em especial o primeiro de Novembro, festa de todos os Santos e o segundo de Novembro pelos fiéis defuntos, eram celebrados com especial fervor religioso na Igreja local. O que é verdadeiramente notável é pelo facto de estas orações pelas almas serem realizadas nesta aldeia em todos os dias do ano. Esta tarefa é iniciada por uma pessoa que percorria todos os caminhos da aldeia com uma sineta, alertando desta forma todas as pessoas da aldeia sobre o início desta celebração.

 

REZAR PELAS PESSOAS FALECIDAS NOS CEMITÉRIOS

 

Nossa Senhora confirmou este hábito de rezar pelas almas, quando Ela própria orientava as meninas em estado de êxtase a fazerem o mesmo. Ela conduzia-as para o cemitério da aldeia, sozinhas ou acompanhadas em grupo. O que é mais significativo era que isto acontecia mais frequentemente durante o mês de Novembro do que noutras alturas do ano. O significado de tudo isto tem ainda mais importância, pelo facto do povo espanhol não ter o hábito de visitar os seus familiares falecidos nos cemitérios. Em regra geral, as meninas não entravam no cemitério. Ficavam quase sempre do lado de fora das grades do portão principal do cemitério, que fica situado num terreno um pouco distante da aldeia.

No primeiro volume “ Subi depressa à montanha”, o padre Eusébio Garcia de Pesquera relata um incidente que envolveu Conchita, a sua mãe Aniceta e o cemitério. Este acontecimento ocorreu numa noite pouco usual e tempestuosa. Aniceta admitiu ser uma pessoa um pouco medrosa no que diz respeito ao andar sozinha à noite. Ela nunca se aventurava a andar sozinha no escuro, nem nunca iria de noite para uma zona tão isolada como é o caso do cemitério. No entanto, ela faz uma curiosa observação, que o seu medo da escuridão desaparecia quando ela estava acompanhada por algumas das meninas em estado de êxtase.

Nesta noite particular e de tempestade, Aniceta estava completamente sozinha com a sua filha em êxtase, no caminho para o cemitério. Elas pararam no portão e rezaram pelos falecidos durante algum tempo. Depois, ainda juntas, regressaram para a aldeia. Conchita esteve sempre em estado de êxtase durante todo este tempo. Uma vez na aldeia, ela começou a percorrer as pequenas ruas e vielas cantando o rosário juntamente com a sua mãe que tentava responder da melhor maneira possível. Aniceta diz que normalmente a sua filha cantava muito pobremente, mas “ quando ela está em êxtase, ela fica completamente transformada e coisas maravilhosas acontecem-lhe.” O som do cantar, arrastou algumas pessoas para fora das suas casas, que se juntaram depois a Conchita e à sua mãe.

 

30 DE JUNHO DE 1962

 

O Dr. Luís Navas Carrillo, um advogado de Palência, testemunhou duas aparições no sábado à noite, no dia 30 de Junho de 1962. A primeira aparição envolvia Conchita e o rezar pelas pessoas defuntas.

Nossa Senhora apareceu a Conchita na cozinha da sua casa, ao fim dessa noite. Pouco tempo depois de ficar em estado de êxtase, ela saiu da sua casa, seguido por um grande número de pessoas, alguns eram da aldeia e outros eram de fora. Ela começou a caminhar pelas ruas e vielas da aldeia e iniciou a recitação de algumas dezenas do rosário e cantava outras. Ela caminhava para trás no estado de êxtase e tudo isto criou grande impressão ao Dr. Luís. Pouco tempo depois destes factos, Conchita deslocou-se para casa de Mari-Cruz. Ao encontrar a porta fechada, ela bateu na porta de forma vigorosa até que a mesma fosse aberta. Depois encaminhou-se por uma escadaria que levava ao segundo andar da habitação onde Mari-cruz e a sua família viviam. Quando Conchita encontrou a sua amiga, ela encostou a cruz que trazia consigo aos lábios de Mari-Cruz para que a mesma pudesse beijá-la. Depois disso, Conchita deslocou-se ao cemitério que ficava a poucos metros da casa de Mari-Cruz. Ela parou durante algum tempo em frente ao portão do cemitério e depois como se estivesse em frente aos túmulos, ela fazia um sinal da cruz.

 

21 DE JULHO DE 1962

 

Numa outra aparição, na qual uma oração pelas pessoas falecidas estava também incluída, teve lugar no dia 21 de Julho de 1962. Mais uma vez, nós devemos esta informação ao contributo do Dr. Luís Carrillo. Tudo começou quando Loli entrou em êxtase por volta das onze da noite. Este acontecimento também envolveu Conchita. Tudo começou na casa de Conchita, tal como acontecia grande parte das vezes em Garabandal. Depois, tal como das outras vezes, Conchita saiu de sua casa e percorreu algumas das ruas e ruelas da aldeia. Ela dirigiu-se para a Igreja da aldeia onde deu uma volta completa e de seguida foi para o cemitério. Depois, Conchita ficou de joelhos frente ao portão, onde permaneceu durante algum tempo, seguindo depois para a “ calleja”.

 

 

1 DE SETEMBRO DE 1962

 

O pároco de Garabandal, D. Valentim Marichalar tomou algumas notas daquilo que ele observou durante as suas muitas visitas à aldeia durante o tempo das aparições. Ele relata um acontecimento que envolvia uma visita ao cemitério por parte das quatro meninas. Esse acontecimento teve lugar no dia 1 de Setembro de 1962.

Cerca das nove da noite, depois da oração pública do rosário na Igreja da aldeia de Garabandal, Conchita entrou em êxtase junto à porta da Igreja, um lugar onde muitas das aparições aconteceram. Alguns minutos depois, Nossa Senhora aparecia também a Jacinta e a Mari-Loli e passado alguns minutos apareceu também a Mari-Cruz. (nota: nos primeiros dias das aparições, Nossa Senhora aparecia quase sempre às quatro meninas em simultâneo. Passado algum tempo, esse sistema começou de repente a mudar e Nossa Senhora apenas aparecia a uma, duas ou três, ou então a todas elas. A partir de Setembro de 1962, as aparições simultâneas de Nossa Senhora às quatro meninas, já eram muito raras).

As meninas começaram as suas marchas extáticas na qual Loli e Jacinta foram juntas, enquanto que Conchita e Mari-Cruz caminhavam sozinhas. As quatro meninas foram para os “ pinos”, e foram seguidas por um largo número de pessoas. Elas recitaram o rosário e depois desceram os “pinos”, caminhando para trás em estado de êxtase. Mesmo caminhando para trás, elas continuavam a recitar o rosário. Neste regresso, Conchita juntou-se a Loli e a Jacinta, enquanto Mari-Cruz continuou a andar sozinha. Todas as quatro foram para o cemitério e depois para a Igreja local.

 

REZAR PELOS DEFUNTOS NAS CASAS DE GARABANDAL

 

Outra das coisas que Nossa Senhora nos ensinou em Garabandal sobre o tema do purgatório, era através das acções que Ela realizava nas meninas. Isso acontecia quando Ela as conduzia para as casas dos habitantes da aldeia para rezar pelos defuntos (e também pelos doentes).

Estas situações ocorriam muitas vezes, e eram muito mais frequentes do que as visitas ao cemitério. Por esta razão, vamos apenas falar sobre um incidente em particular desta natureza, para podermos demonstrar esta prática tão comum. Neste incidente, foi envolvido o Padre José Ramón de la Riva, pároco da paróquia da Nossa Senhora das dores, freguesia de Barro de Llanes, situado na zona das Astúrias. O Padre José Ramón, presenciou mais de 200 êxtases e escreveu um livro sobre as suas experiências que viveu em Garabandal durante o tempo das aparições. Os próximos factos foram tirados do seu livro “ Memórias do cura de Barro”. Durante o mês de Agosto de 1962, D. José Ramon passou alguns dias em Garabandal. No fim de uma determinada noite, assim que deixava a Igreja local após a recitação do rosário, ele conta-nos que Jacinta teve uma aparição, percorrendo em estado de êxtase as ruas e vielas da aldeia. Em vez de segui-la, o padre José Ramon resolveu ir com a mãe de Jacinta para casa dela, acabando depois por jantar lá. Depois de jantar, ele decidiu ir para casa de Maximina, onde iria pernoitar. Os remorsos tomaram conta dele, especialmente pelo facto de não ter optado em seguir e ver Jacinta em êxtase. Quando ele soube que Loli tinha anunciado que Nossa Senhora ia aparecer a Jacinta na madrugada do dia seguinte, pelas três horas, ele então tinha tomado a decisão de levantar-se mais cedo para ir ao encontro desse acontecimento, fazendo disto um pequeno “ sacrifício” seu. No entanto, ele foi acordado pelo som de alguém que caminhava nos corredores da casa onde ele estava naquele momento. Era o irmão de Loli, Nandin. Ele batia na porta e gritava alto para que Maximina abrisse rapidamente a porta, uma vez que Mari-Loli estava a dirigir-se para a sua casa. Alguns momentos depois, D. José Ramon ouviu alguém bater na porta do seu quarto. Mal ele preparava-se para sair dos cobertores e para dizer “ pode entrar”, a porta era aberta de forma súbita, aparecendo Loli no seu quarto em estado de êxtase segurando um crucifixo numa das suas mãos.

De repente, ela dirigiu-se para junto do padre D. José Ramon e de forma também rápida, caía de joelhos (esta era uma característica comum das quedas extáticas, que aconteciam frequentemente em Garabandal e que impressionavam qualquer pessoa que assistisse a este acontecimento). Depois e ainda de joelhos, a criança avança para a parede que ficava por detrás da cama onde estava o Padre José Ramon. Nessa parede encontrava-se um grande retrato do marido de Maximina que entretanto tinha falecido há já algum tempo. Loli recolheu-se ela própria e rezou pelo marido falecido de Maximina. A seguir, deu a volta ainda de joelhos e dirigiu-se à cama onde fez um sinal da cruz com a cruz que trazia, e fê-lo por cima do cobertor. Depois apresentou o crucifixo ao Padre José Ramon para que ele o beijasse. Quando isso aconteceu, Mari-Loli sorriu. Finalmente, ela deu meia volta na direcção da porta sempre ajoelhada. Junto à porta, levantou-se e foi embora.

Don José Ramon concluiu a história deste incidente com a observação de que este tipo de acontecimento já tinha ocorrido da mesma forma numa outra altura e mais uma vez em casa de Maximina, precisamente às três e um quarto da manhã.

Devemos assim dar graças a Deus pelo facto Dele ter usado as aparições de Garabandal para reafirmar sobre muitos pontos da doutrina da Igreja católica, entre os quais está a nossa crença sobre a existência do purgatório e na ajuda e contribuição que todas as nossas orações têm para com as almas que partem. Que os factos relatados neste artigo, nos estimulem a rezar de forma mais frequente e mais fervorosa pelos nossos queridos familiares já falecidos.

 

 

Traduzido para língua portuguesa pelo apostolado de Garabandal em língua portuguesa