Porque é que é importante saber a identidade das pessoas da Igreja que estão a minar a Fé Católica? O Papa S. Pio X responde

21-09-2016 13:13

O Papa S. Pio X responde-nos a esta pergunta na sua encíclica Pascendi, de 1907, em que escreveu: “Os partidários do erro devem procurar-se não só entre os inimigos declarados da Igreja; mas também... no seu próprio seio, e quanto mais escondidos estão, mais danos fazem.” Estes inimigos são os leigos e padres “largamente influenciados pelas doutrinas venenosas ensinadas pelos inimigos da Igreja”, e que se apresentam “como reformadores da Igreja”.5

        E S. Pio X insistiu:

        “A Igreja não tem maiores inimigos. Porque põem em operação os seus desígnios para lhe fazerem mal, não de fora mas de dentro. Por isso, o perigo está presente quase nas próprias veias e no coração da Igreja, e o mal que fazem é tanto mais certo quanto mais íntimo é o conhecimento que têm dela.”6 “Obtêm cargos de docência nos seminários e nas universidades, e gradualmente fazem delas cátedras de pestilência.” “É altura de arrancar a máscara a estas pessoas e mostrá-las à Igreja tais como são.”

P: Como podemos saber quem são os bons e quem são os maus?

        Ora bem, alguém podia dizer: “Ora bem, disse que um terço do clero era mau; como é que podemos ter a certeza de que o Padre Gruner e outros padres semelhantes não fazem parte dessa terça parte do clero, e que os liberais, os progressistas e os neoCatólicos — chame-se-lhe o que se chamar — não são dos bons?” Bem, a resposta está novamente naquilo que foi definido infalivelmente. É isso que nos diz quais são os bons eclesiásticos e leigos, e quais não o são.

        Os bons são o que defendem a Fé, que se mantêm fiéis à doutrina de Jesus. Isto vem na Sagradas Escrituras. Foi Nosso Senhor quem disse: “Pelos seus frutos os conhecereis.” [Mt. 7:16] Portanto, podemos saber em quem devemos confiar se virmos se seguem ou não a Fé Católica, segundo as definições solenes. Se estão a proceder assim, estão a ser fiéis à doutrina verdadeira. Outro sinal a ter em conta é se estão ou não a viver a sua Fé Católica. Mas o que conta não é o que as pessoas dizem acerca dos padres, mas o que cada padre realmente faz e o que diz. Por exemplo, apesar do que se tem dito sobre o Padre Gruner, ele é um sacerdote obediente — as razões estão explicadas no artigo “The Question of Obedience” (“A questão da obediência”), pelo Padre Paul Kramer, que foi publicado no Nº 67 de The Fatima Crusader.

        Assim, quando vemos eclesiásticos — padres, Bispos, Cardeais — que apoiam as definições solenes e infalíveis da Fé Católica, são estes que devemos seguir. Os padres, Bispos ou Cardeais que não seguem as definições solenes e infalíveis, quer por as contradizerem directamente, ou por as questionarem, ou por dizerem que há melhores maneiras de as formular que contradizem as definições ou se desviam delas (e hoje em dia há alguns Cardeais que querem uma revisão das definições — que as definições estão erradas, que foram mal feitas, e assim por diante), são estes a quem não devemos seguir. Ponto final. Fim da discussão. E esta é uma maneira para sabermos quem são os bons e quem são os maus.

        As definições da Igreja Católica são infalíveis. Padres, Bispos, Cardeais ou até um Papa (se for esse o caso) que nos digam para não seguir as definições infalíveis, são os que devemos evitar, porque as definições é que são infalíveis. Devemos ter presente que a Igreja Católica é infalível, e que, quando um Católico ensina e crê no que a Igreja Católica sempre ensinou e acreditou infalivelmente, esse Católico está também infalivelmente correcto. 

        Devemos também compreender que somos todos humanos e podemos enganar-nos; por nós próprios, na prática — sem a ajuda de Deus — não somos infalíveis em muitas coisas.

        O Padre Gruner e todos os padres, Bispos e Cardeais não são infalíveis nas suas opiniões pessoais, ou até nalgumas das suas ideias teológicas. Devemos lembrar-nos de que nem o Papa é sempre infalível. Isto foi claramente definido pelo Concílio Vaticano I. O Papa não é infalível quando não está a exercer o seu Magisterium infalível. O Papa é infalível quando, por si ou em união com os seus Bispos, define solenemente algo como sendo revelado por Deus e que, portanto, deve fazer parte da Fé Católica.

        -O Papa também é infalível quando, em união com todos os Bispos Católicos do mundo, exerce o Magisterium Universal e Ordinário da Igreja Católica. Nem tudo o que o Papa faz e diz é parte deste Magisterium Universal e Ordinário.

        E quando o Papa não fala ou ensina segundo as normas dadas por Deus para o Papa se integrar no Magisterium infalível, então o Papa pode errar e, de facto, houve Papas que erraram no passado. Vemos isto nas vidas do Papa Libério, do Papa Honório, do Papa Pascoal II, do Papa João XXII (in 1333) e do primeiro Papa, S. Pedro. (Estes exemplos foram tratados na primeira parte deste artigo, no Nº 67 de The Fatima Crusader.)

        Mas a distinção de se um membro do clero (ou um leigo) é bom ou mau não se determina apenas pelo facto de apoiar verbalmente ou não a Fé. Além de comparar os ensinamentos (isto é, as palavras) de um padre, de um Bispo, de um Cardeal ou do Papa com os ensinamentos infalíveis de Jesus Cristo e da Sua Igreja Católica, há uma maneira mais importante de distinguir os bons dos maus.

       - É preciso ver se a pessoa também dá o seu apoio às práticas ortodoxas da Igreja Católica pelas suas palavras (escritas e faladas), pelas suas acções e pela conduta cristã da sua vida.

    -É preciso ver se a pessoa (padre, Bispo, Cardeal ou Papa) também segue com fervor as práticas católicas ortodoxas, em vez de seguir hetero práticas. As definições solenes definem o que é da Fé e o que não é da Fé — isto é, o que é a heresia. Mas há mais do que uma maneira de atacar a Fé Católica.

        -Atacar as palavras da doutrina não é a única maneira de atacar a Fé; esta também pode ser atacada pelas nossas acções que vão contra a Fé — feitas de maneira óbvia ou subtilmente. Os nossos actos devem apoiar as nossas palavras. Mantemos a Fé, mantendo as doutrinas nos nossos pensamentos, palavras e escritos, e ainda apoiando as práticas piedosas da Igreja que apoiam a Fé.

        -Ao introduzir práticas na paróquia local (ou na diocese local, ou na província eclesiástica, ou até na Igreja Universal, como os Doutores Católicos escreveram que é possível que aconteça) que dão a impressão de que a Fé definida não é para crer, escandalizam-se os mais pequenos e até algumas almas cultas através da hetero-praxis.

        Chama-se Hetero-praxis a qualquer prática que uma pessoa ou um grupo faça que dá a ideia que uma ou mais doutrinas católicas não são verdadeiras. Por exemplo, sabemos pelas definições solenes do Concílio de Trento que Deus nos garante que a Hóstia consagrada é, de facto, a Sua Presença Real — ou seja, o Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, juntamente com a Sua Alma e Divindade. Ora os rebeldes protestantes quiseram negar este artigo da Fé e influenciar os outros para que fizessem o mesmo. Por isso, reintroduziram a prática da Comunhão na mão (tinha sido originalmente introduzida como prática generalizada pelos hereges arianos do Século IV, para negar que Jesus é Deus), para que, por este acto simbólico, a sua negação fosse clara para todos.

        Esta hetero-praxis foi usada nos nossos dias com grande efeito pelos inimigos da Igreja para escandalizar muitos pobres Católicos, para que percam a sua Fé na Presença Real. Foi por isto que a prática da Comunhão na mão foi proibida pela lei universal da Igreja durante muitos séculos, e ainda é proibida pela lei da Igreja até hoje. (O recente indulto [isto é, autorização] para ir contra a letra da lei só é permitido se esta prática não leva a uma diminuição da Fé na Presença Real e não conduz a um menor respeito pela Presença Real. A maior parte das pessoas desconhece isto hoje. De facto, a maior parte das pessoas não sabe que a Comunhão na mão nunca é permitida, mesmo com o indulto, se os seus 2 princípios e 7 regras não forem seguidos. Quem duvidar do que eu digo pode lê-lo no apêndice à Memoriale Domini [Maio de 1969], que se encontra nas Acta

Apostolicae Sedis de 1969, nas páginas 546-547. Veja-se também o Apêndice V na primeira e segunda edições de Fatima Priest.)

        As práticas que apoiam a doutrina ortodoxa chamam-se ortho-praxis (isto é, práticas católicas ortodoxas). Estas incluem, entre outras: genuflectir na Presença do Santíssimo Sacramento, distribuir e receber a Comunhão na boca, manter o sacrário com o Santíssimo Sacramento como o foco principal da atenção (e do culto) no centro da capela-mor, e o comportamento solene do clero perante o altar, mostrando a devida reverência à Presença de Deus no Santíssimo Sacramento. Estes exemplos de orthopraxis (acções ortodoxas que apoiam a Fé) testemunham a verdade do dogma de que o Santíssimo Sacramento é a Presença Real de Deus — o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo sob a aparência de pão — assim como o devido respeito do homem para com Deus.

        Por outro lado, as práticas que promovem ou defendem a heresia, ou dão a impressão de que uma ou mais heresias são a verdade, chamam-se hetero-praxis (isto é, práticas heterodoxas que dão a impressão de que a heresia é a verdade). Outro exemplo de hetero-praxis — já dei como exemplo a Comunhão na mão — é a transferência do sacrário com o Santíssimo Sacramento da capela-mor para uma sala ou armário, para que o foco principal da atenção (e do culto) na capela-mor seja a cadeira do Celebrante — o “Presidente da Assembleia”. Subtilmente, passa-se a mensagem, que é inconscientemente recebida, de que a pessoa que se senta na cadeira é mais importante do que o Santíssimo Sacramento. E como o “Presidente da Assembleia” representa o povo, passa-se subtilmente a mensagem de que Deus não é importante, porque o homem é mais importante. Resumindo, nas mentes e corações das pessoas presentes nestas assembleias religiosas, Deus foi substituído de facto pelo homem. Este exemplo de hetero-praxis leva aos leigos a mensagem errada de que o Santíssimo Sacramento não é assim tão importante, que é só pão, e promove a heresia de que não é a Presença Real de Deus — o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo sob a aparência de pão.

        Estes exemplos fazem-nos recordar as palavras do Papa Pio XII:

“Suponha, caro amigo, que o Comunismo [a Rússia e os erros da Rússia, nos termos de Fátima] era apenas o mais visível dos instrumentos de subversão a ser usados contra a Igreja e as tradições da Revelação Divina [...] As mensagens da Santíssima Virgem a Lúcia de Fátima preocupam-me. Esta persistência de Maria sobre os perigos que ameaçam a Igreja é um aviso do Céu contra o suicídio de alterar a Fé, na sua liturgia […] Chegará um dia em que o mundo civilizado negará o seu Deus, em que a Igreja duvidará como Pedro duvidou. Ela será tentada a acreditar que o homem se tornou Deus. Nas nossas Igrejas, os Cristãos procurarão em vão a lamparina vermelha onde Deus os espera. Como Maria Madalena, chorando perante o túmulo vazio, perguntarão: ‘Para onde O levaram?’”9

        Segundo as palavras do Papa Pio XII, parece que estas hetero práticas contra o Santíssimo Sacramento, acima mencionadas, foram mencionadas explicitamente no Terceiro Segredo de Fátima, porque não as encontramos em mais parte nenhuma da Mensagem de Fátima. Ora Pio XII disse claramente que é Nossa Senhora de Fátima quem nos avisa contra “o suicídio de alterar a Fé na sua liturgia.”

        A heresia acontece de duas maneiras diferentes: por palavras ou por práticas que dão a impressão de que a heresia é promovida “oficialmente” para ser aceite. Portanto, os bons são os que apoiam a Fé mantendo-se fiéis às definições solenes e infalíveis da Fé Católica em pensamentos, palavras e escritos, e pela ortho-praxis e bom comportamento moral; enquanto que os maus atacam a Fé com as suas palavras, não são fiéis às definições solenes e infalíveis da Fé Católica, ou promovem hetero-praxis ou heresia.

        Pode-se dizer muito mais sobre a ortho-praxis e a hetero-praxis (ambas as palavras são parte do ensino católico comum desde há séculos), mas deixarei isso para outro número de The Fatima Crusader. Basta agora notar que observar se um padre é edificante nas suas palavras e acções pessoais, assim como nas suas palavras e acções públicas é uma maneira de saber se é ou não um bom pastor. E se um padre dá mau exemplo, por palavras ou obras ou hetero-praxis, então deve evitá-lo, porque é um lobo em pele de cordeiro. Como Jesus disse: “Pelos frutos os conhecereis” [Mt. 7:16]

P: O que significa isto (distinguir os bons dos maus) para o leigo médio?

        O que precisamos de saber, em primeiro lugar, é o que significa isto para nós — isto é importante? Sim, é muito importante — porque para salvar a sua alma, devemos manter a nossa Fé Católica íntegra e inviolada. E como podemos manter a Fé Católica íntegra e inviolada? Fazendo duas coisas. Primeiro, armemo-nos espiritualmente, rezando o Rosário diariamente. Nossa Senhora prometeu que quem rezar todos os dias o Rosário não cairá na heresia. Rezar diariamente o Rosário também vence o vício e diminui o pecado. A segunda coisa é estarmos informados acerca da Fé Católica. Quem recebeu a sua educação católica desde cerca de 1965, deve comprar um bom catecismo católico, como o velho Catecismo de Baltimore de 1885, ou o Catecismo do Concílio de Trento, ou o Catecismo de S. Pio X. Estude estes catecismos, rejeite tudo o que aprendeu até agora que contradiga as doutrinas de qualquer destes três catecismos, e guarde tudo o que a Igreja Católica ensinou nestes catecismos.

        O Catecismo do Concílio de Trento foi escrito por um santo (S. Carlos Borromeu), promulgado por outro santo (S. Pio V), e autorizado pelo Concílio de Trento, que foi dogmático — que nos deu dogma, que nos deu definições solenes. É por isto que o recomendo acima de todos os outros. Em segundo lugar, até os volumes I, II e III do Catecismo de Baltimore têm por eles mais de 100 anos de autoridade. Além disso, estes volumes foram promulgados por toda a conferência episcopal dos Estados Unidos; e antes de serem promulgados foram aprovados pelo Santo Ofício, numa altura em que a Igreja não estava infiltrada por um terço do clero que trabalha para o dragão; e não se encontra nada no velho Catecismo de Baltimore que contradiga as definições de qualquer Concílio ou quaisquer ensinamentos da Fé Católica. Enquanto que alguns catecismos mais recentes, feitos depois do Concílio Vaticano II — alguns até se chamaram Catecismos de Baltimore — incluem algumas coisas que podem ser questionáveis. Por isso, aconselho-o a que procure a edição antiga, publicada pela TAN.

        Depois de aprender os fundamentos com o Catecismo de Baltimore, ou com o Catecismo do Concílio de Trento, ou com o Catecismo de S. Pio X (que, obviamente, também foi escrito por um Santo), pode já ler as definições do Concílio de Trento, do Concílio Vaticano I, do Concílio de Florença e assim por diante. Aqui está em terreno sólido. Não pode errar se seguir estas definições. Seguindo os ensinamentos dos santos, e em especial dos Doutores da Igreja, está em terreno sólido quanto à Fé. Estas são as coisas que prepararão a sua mente, o seu coração e a sua alma. Em segundo lugar, deve fazer por ajudar quem encontrar no seu caminho — que Deus coloca no seu caminho — ensinando-os a rezar o Rosário, encorajando-os a rezar o Rosário todos os dias, e dando-lhes a ler doutrina católica sólida. E quando se deparar com alguma coisa que contradiga ou pareça contradizer o ensino Igreja de todos os tempos ou os ensinamentos dos santos de todos os tempos, conserve o que a Igreja sempre ensinou. Até que um Concílio da Igreja se reúna para resolver a questão, suspeite de tudo o que pareça contrariar as definições. Para salvar a sua Fé e a sua alma, precisa também de seguir bons pastores — bons sacerdotes — e evitar os ensinamentos e o exemplo dos maus sacerdotes. 

 

Fonte: Fatima.org