A Imaculada Conceição

30-11-2011 00:35

Esta verdade foi proclamada solenemente em 1854, mas a história da devoção a Maria Imaculada é muito mais antiga. Precede de séculos, antes de quase dois milénios, à proclamação do dogma, que, como sempre, não introduziu novidade «alguma, mas simplesmente reconheceu uma antiquíssima tradição. Muitos Padres e Doutores da Igreja oriental ao exaltar a grandeza de Maria, Mãe de Deus, tinham usado expressões que a colocavam acima do pecado original. Chamavam-na de intemerata, toda bela e formosa, a cheia de graça, o lírio da inocência, a mais pura que os anjos, mais esplendorosa do que o sol. Na igreja ocidental, a doutrina da Imaculada Conceição encontrava certa resistência, não por aversão a Nossa Senhora, que sempre foi exaltada como a mais sublime de todas as criaturas, mas para salvaguardar a doutrina da redenção operada por Cristo em favor de todas as criaturas.

 

Foi Duns Scoto, grande teólogo do século XIII, que encontrou um silogismo que solucionava a dificuldade de admitir que também nossa Senhora como filha de Adão e Eva devia estar sujeita ao pecado original, mas que foi dele preservada, em previsão dos méritos de Cristo, com antecipada aplicação da redenção universal de Jesus. A sua tese ficou famosa: "Convinha que Deus fizesse a excepção; podia fazê-la; portanto a fez!". Convinha: como ficaria sujeita ao pecado aquela que veio para dar ao mundo o Libertador do pecado? Podia: "Nada é impossível a Deus!". Deus Pai sabia que o seu Filho derramaria todo o seu sangue para a salvação da humanidade. Podia, pois, aplicou nela, antecipadamente, os merecimentos que ele obteria para a humanidade com a sua paixão e morte, e morte de cruz. E o fez: Maria foi preservada de todo o pecado. Era sumamente conveniente que Deus preservasse Maria do pecado original, pois era Maria destinada a ser mãe do seu filho. A SS. Virgem Maria teve o fruto mais sublime da redenção, ou seja, o de ser salva pela preservação do pecado.

 

Isso era possível para a omnipotência de Deus; portanto, Deus, de facto, preservou-a, antecipando-lhe os frutos da redenção de Cristo. Perante esta subtil, mas irretorquível argumentação, os teólogos concordaram em aceitar esta doutrina. De facto, desde 1300 a doutrina da Imaculada Conceição de Maria no seio materno fez rápidos progressos na consciência dos fiéis, induzindo a Igreja a introduzir no calendário romano já no século XV a festa da Conceição

Imaculada de Maria.

 

Em 1830 Nossa Senhora apareceu a Catarina Labouré mandando cunhar uma medalha com a efígie da Imaculada e as palavras: "Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós". Esta medalha, difundida aos milhões em todo o mundo, suscitou grande devoção a Maria Imaculada, induzindo muitíssimos bispos a solicitar ao papa a definição do dogma que já estava a ser vivido nos corações dos fiéis. Assim, no dia 8 de Dezembro de 1854, o papa Pio IX proclamou Maria isenta do pecado original, desde o primeiro instante da sua existência no seio da sua mãe, e isto por força de uma antecipada aplicação dos frutos da redenção de Cristo. Quatro anos mais tarde, as aparições de Lourdes foram prodigiosa confirmação do dogma. De facto, Maria proclamou-se explicitamente com a prova de incontáveis milagres:

 

"Eu sou a Imaculada Conceição". Deus quis preparar ao seu Filho uma digna habitação. Cheia de graça, ainda no seio materno, Maria foi concebida sem a mancha do orgulho e do desamor que é o pecado. Em vista disso, a Imaculada foi a primeira a receber a plenitude da bênção de Deus que se manifestou na morte e na ressurreição de Cristo. Maria, na sua fidelidade ao projecto de Deus, na sua vocação de Mãe do Salvador, ensina-nos o caminho da santidade; por isso a igreja hoje manda-nos rezar: Ó Deus, que preparastes uma digna habitação para o vosso Filho, pela Imaculada Conceição da Virgem concedei-nos chegar até Vós purificados também de toda a culpa pela sua materna intercessão".