A cronologia das aparições de Fátima

10-10-2010 21:25

 

Primeira aparição do Anjo – Loca do Cabeço, Prégueira nos Valinhos, Primavera de 1916

 

 

- Não temais! Sou o Anjo da Paz. Orai comigo.

E, ajoelhando em terra, curvou a fronte até ao chão. Levados por um movimento sobrenatural, imitámo-lo e repetimos as palavras que lhe ouvimos pronunciar:

- Meu Deus eu creio, adoro, espero e amo-vos. Peço perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam, e não vos amam.”

Depois de repetir isto três vezes, ergueu-se e disse:

- Orai assim. Os corações de Jesus e Maria estão atentos à voz das vossas súplicas.*

 

*De facto, esta é, não a primeira aparição do Anjo, mas a quarta, se contarmos com as três aparições silenciosas de um vulto à Lúcia e três amigas ainda em 1915. De qualquer modo, nessas manifestações não houve nenhuma palavra ou mensagem.

 

 

Segunda aparição do Anjo – quintal da casa de Lúcia, junto ao poço do Arneiro, Verão de 1916

 

 

  

- Que fazeis? Orai! Orai muito! Os corações de Jesus e Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei constantemente ao Altíssimo orações e sacrifícios.

- Como nos havemos de sacrificar? – perguntei.

- De tudo que puderdes, oferecei um sacrifício em acto de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores. Atraí, assim, sobre a vossa Pátria a paz. Eu sou o Anjo da guarda, o Anjo de Portugal. Sobretudo aceitai e suportai com submissão o sofrimento que o Senhor vos enviar.

 

 

Terceira aparição do Anjo – Loca do Cabeço, Prégueira nos Valinhos, Outono de 1916

 

 

 
 

(…) trazendo na mão um cálix e sobre ele uma Hóstia, da qual caiam, dentro do cálix, algumas gotas de sangue. Deixando o cálix e a Hóstia suspensos no ar, prostou-se em terra e repetiu três vezes a oração:

- Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o Preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os Sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Sacratíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-vos a conversão dos pobres pecadores.

Depois, levantando-se, tornou de novo na mão o cálix e a Hóstia, e deu-me a Hóstia a mim e o que continha o cálix deu-o a beber à Jacinta e ao Francisco, dizendo ao mesmo tempo:

- Tomai e bebei o Corpo e o sangue de Jesus Cristo horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus.

De novo se prostou em terra e repetiu connosco mais três vezes a mesma oração.

- Santíssima Trindade……etc.

 

 

Primeira aparição de Nossa Senhora – Cova da Iria, 13 de Maio de 1917

 

 

 

 

- Não tenhais medo! Eu não vos faço mal!

- De onde é Vossemecê? – lhe perguntei

- Sou do Céu.

- E que é que Vossemecê me quer?

- Vim para vos pedir que venhais aqui, seis meses seguidos, no dia 13 a esta mesma hora. Depois direi quem sou e o que quero. Depois voltarei ainda uma sétima vez.* *

- Vossemecê sabe-me dizer se a guerra ainda dura muito tempo ou se acaba em breve?

- Não te posso dizer ainda enquanto não te disser também o que quero

- E eu também vou para o Céu?

- Sim, vais.

- E a Jacinta?

- Também.

- E o Francisco?

- Também, mas tem que rezar muitos Terços.

- E a Maria das Neves já está no Céu?

- Sim, está.

- E a Amélia?

- Estará no purgatório até ao fim do mundo. Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em acto de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?

- Sim, queremos!

- Ides, pois, ter muito que sofrer, mas a graça de Deus será o vosso conforto.

Foi ao pronunciar estas últimas palavras (a graça de Deus, etc.) que abriu pela primeira vez as mãos, comunicando-nos uma luz tão intensa, como que reflexo que delas expedia, que penetrando-nos no peito e no mais íntimo da alma, fazendo-nos ver a nós mesmos em Deus, que era essa luz, mais claramente que nos vemos no melhor dos espelhos. Então por um impulso íntimo também comunicado, caímos de joelhos e repetíamos intimamente:

- Ó Santíssima Trindade, eu vos adoro. Meu Deus, meu Deus, eu Vos amo no Santíssimo Sacramento.

Passados os primeiros momentos, Nossa Senhora acrescentou:

- Rezem o Terço todos os dias para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra.

 

** Esta sétima vez, já foi a 16 de Junho de 1921, nas vésperas da sua partida para o colégio de Vilar, no Porto. Foi uma aparição com mensagem pessoal para a Lúcia. Por isso não a considerou importante.

  

 

Segunda aparição de Nossa Senhora – Cova da Iria, 13 de Junho de 1917

 


 

- Vossemecê que me quer? – perguntei.

- Quero que venhas aqui no dia 13 do mês que vem, que rezeis o Terço e que aprendam a ler. Depois direi mais o que quero.

Pedi a cura dum doente.

- Se se converter, curar-se-á durante o ano.

- Queria pedir-lhe para nos levar para o céu.

- Sim, a Jacinta e o Francisco levo-os em breve, mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer servir-Se de ti para me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. ( A quem a abraçar, prometo a salvação; e serão queridas de Deus estas almas, como flores postas por Mim a adornar o Seu trono).*

 

*A revelação das mortes próximas da Jacinta e do Francisco e o estabelecimento do culto ao Imaculado Coração de Maria constituem o “ segredo de Junho “, o primeiro das aparições.

 

 

Terceira aparição de Nossa Senhora – Cova da Iria, 13 de Julho de 1917

 

 

  

- Vossemecê que me quer?

- Quero que venham aqui no dia 13 do mês que vem, que continuem a rezar o Terço todos os dias, em honra de Nossa Senhora do Rosário, para obter a paz do mundo e o fim da guerra, porque só Ela lhes poderá valer.

- Queria pedir-lhe para nos dizer Quem é, para fazer um milagre com que todos acreditem que Vossemecê nos aparece.

- Continuem a vir aqui todos os meses. Em Outubro direi quem sou e o que quero. E farei um milagre que todos hão-de-ver, para acreditar.

- Tenho aqui um pedido se Vossemecê converte uma mulher do Pedrogam e uma da Fátima e se melhora um menino da Moita.

Ela disse que os convertia e melhorava entre um ano.

- Sacrificai-vos pelos pecadores e dizei muitas vezes e em especial quando fizerdes alguns sacrifícios.

- Ó Jesus, é por Vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria.

Ao dizer estas últimas palavras, abriu de novo as mãos, como nos meses passados. O reflexo pareceu penetrar a terra e vimos como que um grande mar de fogo. Mergulhados em esse fogo, os demónios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras ou bronzeadas com forma humana, que flutuavam no incêndio, levadas pelas chamas que delas mesmas saíam, juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das faúlhas em os grandes (incêndios), sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizava e fazia estremecer de pavor (deve ser ao deparar-me com esta vista que dei esse ai! Que dizem terem ouvido). Os demónios destinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes como negros carvões em brasa. Assustados e como que a pedir socorro, levantamos a vista para Nossa Senhora, que nos disse com bondade e tristeza:

- Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores; para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção a Meu Imaculado Coração. Se fizerem o que vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar. Mas se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI, começará outra peor. Quando virdes uma noite alumiada por uma luz desconhecida*, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai a punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre.

Para a impedir virei pedir a consagração da Rússia a meu Imaculado Coração a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a Meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas. Por fim o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz. Em Portugal conservar-se-á sempre o dogma da Fé.

(Depois das duas partes que já expus, vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora um pouco mais alto um Anjo com uma espada de fogo em a mão esquerda; ao centilar, despedia chamas que parecia iam encendiar o mundo; mas apagavam-se com o contacto do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro: o Anjo apontando com a mão direita para a terra, com voz forte disse: “ Penitência, Penitência, penitência!)E vimos numa luz emensa que é Deus algo semelhante a como se vêem as pessoas num espelho quando lhe passam por diante um Bispo vestido de branco; tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre. Vários outros Bispos Sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma cruz de troncos toscos como se fora de sobreiro com a casca; o Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade meia em ruínas, e meio trémulo, com andar vacilante, acabrunhado de dôr e pena, ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho; chegado ao cimo do montem prostrado de juelhos aos pés da grande Cruz, foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam vários tiros e setas, e assim mesmo foram morrendo uns trás outros os Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas e várias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de várias classes e posições. Sob os dois braços da Cruz estavam dois Anjos cada um com um regador de cristal em a mão, neles recolhiam o sangue dos mártires e com êle regavam as almas que se aproximavam de Deus.)  

- Isto não o digais a ninguém. Ao Francisco, sim, podeis dizê-lo.

- Quando rezais o Terço, dizei depois de cada mistério:

“ Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as alminhas todas para o Céu, principalmente aquelas que mais precisarem.”

Seguiu-se um instante de silêncio e perguntei:

- Vossemecê não me quer mais nada?

- Não, Hoje não te quero mais nada.

 

*A referência é normalmente entendida relativa à noite de 25 para 26 de Janeiro de 1938, em que se verificou uma estranha aurora boreal sobre os céus do Canadá e Europa. A invasão da Áustria foi a 12 de Março. A irmã Lúcia identificou esse facto como sendo a luz anunciada.

 

  

Quarta aparição de Nossa Senhora – Valinhos, 19 de Agosto de 1917

 

 

 

- Que é que Vossemecê me quer?

- Quero que continues a ir à Cova da Iria no dia 13, que continueis a rezar o Terço todos os dias. No último mês, farei o milagre para que todos acreditem. (Se não tivessem abalado contigo para a aldeia seria o milagre mais conhecido, havia de vir S. José com o Menino Jesus para dar a paz ao mundo e havia de vir Nosso Senhor benzer o povo, vinha Nossa Senhora do Rosário com um Anjo de cada lado e Nossa Senhora com um arco de flores à roda.)

- Que é que vossemecê quer que faça ao dinheiro que o povo deixa na Cova da Iria ?

- Façam dois andores, um leva-lo tu com a Jacinta e outras duas meninas, vestidas de branco; o outro leva-o o Francisco com três meninos. O dinheiro dos andores é para a festa de Nossa Senhora do Rosário e o que sobrar é para a ajuda duma capela que hão de mandar fazer.

- Queria pedir-lhe a cura dalguns doentes.

- Sim, alguns curarei durante o ano.

E, tomando um aspecto mais triste:

- Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios por os pecadores, que vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas.

 

  

Quinta aparição de Nossa Senhora – Cova da Iria. 13 de Setembro de 1917

 

 

  

- Continuem a rezar o Terço a Nossa Senhora do Rosário, todos os dias, para alcançarem o fim da guerra. Em Outubro, virá também Nosso Senhor, Nossa Senhora das Dores e do Carmo, S. José com o Menino Jesus para abençoarem o Mundo. Deus está contente com os vossos sacrifícios, mas não quer que durmais com a corda, trazei-a só durante o dia.

- Têm-me pedido para Lhe pedir muitas coisas: a cura de alguns doentes, dum surdo mudo.

- Alguns curarei, outros não. Em Outubro farei o milagre para que todos acreditem.

- O povo muito gostava aqui duma capelinha.

- Metade do dinheiro que juntaram até hoje façam os andores e dêem-nos à Senhora do Rosário; a outra metade seja para ajuda da capelinha.

Ofereci-lhe duas cartas e um vidro com água- de-cheiro.

- Deram-me isto, se Vossemecê os quer.

- Isso não é conveniente lá para o Céu.

  

 

Sexta aparição de Nossa Senhora – Cova da Iria, 13 de Outubro de 1917

 

 


-Que é que Vossemecê me quer?

-Quero dizer-te que façam aqui uma capela em Minha honra, que sou a Senhora dos Rosário, que continuem sempre a rezar o Terço todos os dias. A guerra vai acabar e os militares voltarão em breve para as suas casas.

-Eu tinha muitas coisas para Lhe pedir: se curava uns doentes e se convertia uns pecadores, etc.

- Uns sim, outros não. É preciso que se emendem, que peçam perdão dos seus pecados.

E tomando um aspecto mais triste:

-Não ofendam mais a Nosso Senhor que já está muito ofendido.

-Ainda me quer mais alguma coisa?

-Já não quero mais nada.

 

 

Aparição de Nossa Senhora no quarto em Pontevedra, 10 de Dezembro de 1925

 

 

E, abrindo as mãos, fê-las reflectir no Sol. E enquanto que se elevava, continuava o reflexo da sua própria luz a projectar no Sol(…). Desaparecida Nossa Senhora na imensa distância do firmamento, vimos ao lado do Sol S. José com o Menino e Nossa Senhora vestida de branco com um manto azul. S. José com o Menino pareciam abençoar o Mundo, com os gestos que faziam com a mão, em forma de cruz. Pouco depois, desvanecida esta aparição, vi Nosso Senhor e Nossa Senhora que me dava a ideia de ser Nossa Senhora das dores. Nosso Senhor parecia abençoar o Mundo da mesma forma que S. José. Desvaneceu-se esta aparição e pareceu-me ver ainda Nossa Senhora de forma semelhante a Nossa Senhora do Carmo

Apareceu-lhe a Santíssima Virgem e, ao lado, suspenso em uma nuvem, um Menino. A Santíssima Virgem, pondo-lhe no ombro a mão e mostrando, ao mesmo tempo, um coração que tinha na outra mão, cercado de espinhos. Ao mesmo tempo, disse o menino:

- Tem pena do Coração da tua Santíssima Mãe que está coberto de espinhos, que os homens ingratos a todos os momentos Lhe cravam sem haver quem faça um acto de reparação para os tirar.

Em seguida disse a Santíssima Virgem:

- Olha, minha filha, o Meu Coração cercado de espinhos, que os homens ingratos a todos os momentos Me cravam, com blasfémias e ingratidões. Tu, ao menos, vê de Me consolar e diz que todos que durante cinco meses, ao primeiro sábado, se confessarem, receberem a Sagrada Comunhão, rezarem o Terço e me fizerem 15 minutos de companhia, meditando nos 15 mistérios do Rosário com fim de Me desagravar, Eu prometo assistir-lhes na hora da morte, com todas as graças necessárias para a salvação das almas.

 

 

Aparição do Menino Jesus na rua em Pontevedra, 15 de Fevereiro de 1926

 

 

  

No dia 15-02-1926, voltando eu lá (a deitar um apanhador de lixo fora do quintal), como é costume, encontrei ali uma criança que me parecia ser a mesma (que já encontrara uma vez antes) e perguntei-lhe então:

-Tens pedido o Menino Jesus à Mãe do Céu?

A criança volta-se para mim e diz:

-E tu tens espalhado, pelo mundo, aquilo que a Mãe do Céu te pediu?

E, nisto, transforma-se num Menino resplandecente. Conhecendo, então, que era Jesus, disse:

- Meu Deus! Vós bem conheceis o que o meu confessor me disse na carta que Vos li: Dizia que era preciso que aquela visão se repetisse; que houvesse factos para que fosse acreditada; e a Madre Superiora, só, a espalhar este facto, nada podia.

- É verdade que a Madre Superiora só, nada pode; mas, com a Minha Graça, pode tudo. E basta que o teu Confessor te dê licença, e na tua Superiora o diga, para que seja acreditado, até sem se saber a quem foi revelado.

- Mas o meu Confessor dizia na carta que esta devoção não fazia falta no mundo, porque já havia muitas almas que Vos recebiam, nos primeiros sábados, em honra de Nossa Senhora e dos 15 Mistérios do Rosário.

- É verdade, minha filha, que muitas almas os começam, mas poucas os acabam; e as que os terminam, é com o fim de receberem as graças que aí estão prometidas, e Me agradam mais as que fizerem os cinco com fervor e com o fim de desagravar o Coração da tua Mãe do Céu, que os que fizerem os 15, tíbios e indiferentes.

- Meu Jesus! Muitas almas têm dificuldade em se confessar aos sábados. Se vos permitísseis que a confissão de oito dias fosse válida?

- Sim. Pode ser de muito mais dias ainda, contando que estejam em graça no primeiro sábado, quando Me receberem; e que nessa confissão anterior tenham feito a intenção de com ela desagravar o Sagrado Coração de Maria.

- Meu Jesus! E as que se esquecerem de formar essa intenção?

- Podem-na formar logo na outra confissão seguinte, aproveitando a primeira ocasião que tiverem de se confessar.

Carta da irmã Lúcia ao Monsenhor Pereira Lopes, seu confessor.

  

 

 

Aparição da Santíssima Trindade e Nossa Senhora na capela em Tuy, a 13 de Junho de 1929

 

 

  

A única luz era a da lâmpada. De repente, iluminou-se toda a capela com uma luz sobrenatural e sobre o altar apareceu uma Cruz de luz que chegava até ao tecto. Em uma luz mais clara, via-se na parte superior da Cruz uma face de homem, com o corpo até à cinta, sobre o peito uma pomba também de luz e, pregado na Cruz, o corpo de outro homem. Um pouco abaixo da cinta, suspenso no ar, via-se um cálix e uma hóstia grande, sobre a qual caíam algumas gotas de sangue que corriam pelas faces do Crucificado e de uma ferida do peito. Escorregando pela Hóstia, essas gotas caíam dentro do Cálix. Sob o braço direito da Cruz estava Nossa Senhora ( era Nossa Senhora de Fátima com seu Imaculado Coração….na mão esquerda….sem espada nem Rosas, mas com uma coroa de espinhos e chamas…….)com seu Imaculado Coração na mão….Sob o braço esquerdo, umas letras grandes, como se fossem de água cristalina que corressem para cima do altar, formavam estas palavras: “ Graça e Misericórdia”.

Compreendi que me era mostrando o mistério da Santíssima Trindade, e recebi luzes sobre este mistério que me não é permitido revelar. Depois Nossa Senhora disse-me:

- É chegado o momento em que Deus pede para o Santo Padre fazer, em união com todos os Bispos do mundo, a consagração da Rússia ao Meu Imaculado Coração, prometendo salvá-la por este meio. São tantas as almas que a Justiça de Deus condena por pecado, contra Mim cometidos, que venho pedir reparação: sacrifica-te por esta intenção e ora.

Dei conta disto ao meu confessor, que me mandou escrever o que Nosso Senhor queria que se fizesse:

Não quiseram atender ao Meu Pedido!....Como o rei da França*, arrepender-se-ão, e fá-la-ão, mas será tarde. A Rússia terá já espalhado os seus erros pelo Mundo, provocando guerras, perseguições à Igreja: o Santo Padre terá muito que sofrer.

Descrição da irmã Lúcia ao Padre José Bernardo Gonçalves, seu confessor.

*Esta é uma referência ao pedido feito por Cristo a Santa Margarida Maria de Alacoque, no dia 17 de Junho de 1689, no sentido de a França ser consagrada ao Sagrado Coração de Jesus, pedido que foi comunicado a Luís XIV, que depois de o ponderar, recusou-o. Precisamente nesse dia, 100 anos depois, a 17 de Junho de 1789, o Terceiro estado constitui-se em Assembleia Nacional e começou a Revolução Francesa.

 

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