" Acima de tudo, devemos ser muito bons..." - Meditações do Padre católico Joseph Pelletier

24-11-2010 13:55

Estas palavras da Virgem Maria, faladas para o nosso mundo actual através das videntes de Garabandal, resumem o próprio evento de Garabandal. Faz lembrar-nos a mensagem de salvação das escrituras. João, o Baptista, disse o mesmo quando chorava:  "Arrependei-vos, Arrependei-vos", tal como Jesus disse “Devem ser perfeitos, como o Pai do Céu é perfeito”.

Em Outubro de 1961, cerca de quatro meses após o início das aparições na aldeia pequenina de Garabandal, Espanha, muitas pessoas nesse dia esperaram à chuva e ao vento para ouvirem a primeira mensagem de Nossa Senhora. Depois de ouvirem a mensagem, as pessoas ficaram desapontadas com a simplicidade das palavras: “…devem ser muito bons.”

 

 

Introdução

Todos os fenómenos que tiveram lugar em Garabandal, tais como os êxtases, as levitações, o discernimento, as profecias, as conversões, os milagres, tudo isso estava relacionado com o principal objectivo de Nossa Senhora durante os quatro anos em que apareceu nesta aldeia da Cantábria: para lembrarmos que Deus espera de nós que tenhamos vidas boas.

 

Por exemplo, Nossa Senhora disse-nos na mensagem de 18 de Junho de 1965 para rezarmos com sinceridade, para visitar frequentemente o Santíssimo Sacramento e para pedir o perdão a Deus com coração sincero. É fácil de ver que a oração, orar na presença do Santíssimo, dá-nos as graças de que necessitamos para termos uma vida com santidade. E uma vez que continuaremos a pecar ao longo das nossas vidas, pelo menos, é evidente que “ pedir perdão com corações sinceros” será sempre necessário para que caminhemos para a perfeição.

 

Nossa Senhora também nos disse para “ fazer sacrifícios, realizar mais penitência” e para “pensar mais na paixão de Jesus.” Nós, humanos, temos tendência para negligenciar sobre estas poderosas ajudas para a nossa santificação. Porque não conseguimos ver a relação que existe entre elas. No entanto, todos os Santos, Deus criou-os para que eles servissem de modelos para que todos nós os pudéssemos imitar e, assim, procurarmos atingir o conteúdo da frase “ temos que ser muito bons”. Todos eles (os Santos) fizeram penitência e reflectiram na paixão de Jesus, um ponto importante das suas vidas. Eles consideravam todas estas práticas como instrumentos espirituais poderosos. Se considerarmos apenas só a oração, esta pode ser comparada a uma serra manual. Mas, se combinarmos a oração com a penitência e o sacrifício, então aí já teremos como termo de comparação uma serra eléctrica com mais potência e força. Ao passo que com uma serra manual apenas podemos fazer alguns trabalhos, com a serra eléctrica poderemos fazer mais trabalhos de forma mais eficiente. Sendo assim, rezar apenas permite-nos fazer determinados trabalhos espirituais, mas se juntarmos à oração o sacrifício e a penitência, então aí poderemos ser capazes de realizar trabalhos mais árduos e difíceis, tais como superar determinados pecados e obter a conversão dos maiores pecadores.

 

 

 

O exemplo do Padre Pio

 

 

Como foi possível que o Padre Pio realizasse tantas coisas maravilhosas, tais como graças especiais, conversões ou curas? Porque ele rezava muito, sim, mas o sofrimento e o sacrifício estavam também presentes com as orações. Ele estava constantemente em sofrimento. Alguns desses sofrimentos eram voluntários da sua parte, como por exemplo, as rigorosas práticas da penitência que ele impunha assiduamente a si próprio, ou na altura em que ele pediu a Deus para lhe transferir algum sofrimento por todos aqueles que vinham ter com ele com o peso dos seus problemas.

Mas, grande parte do sofrimento do Padre Pio foi o que Deus lhe deu e que ele alegremente aceitou. Grande foi o sofrimento que ele aceitou ao receber as chagas de Cristo, os estigmas que ele suportou no seu corpo e que foram visível durante 50 anos da sua vida. Grande foi a dor que resultaram das suas misteriosas fraquezas físicas, elevadas temperaturas que de repente baixavam abruptamente, problemas gástricos. Grande foi também o sofrimento causado pelos ataques e moléstias sucessivas do diabo, bem como dos ataques verbais por parte de alguns dos seus colegas e dos seus superiores capuchinhos. Para além disso, o Padre Pio sofreu consideráveis sofrimentos morais e psicológicos quando ficou proibido de realizar confissões, realizar a Santa Eucaristia, etc.

 

Finalmente, houve a tortura e o tédio que faziam parte do seu trabalho diário, como era o caso das confissões que realizava durante 18 horas num mesmo dia. Ele tinha realmente uma vida vivida na cruz do sofrimento.

O Padre Pio esteve ligado aos acontecimentos ocorridos em Garabandal através de Nossa Senhora. Deus usou-o para que a vida deste Capuchinho servisse de exemplo para o nosso tempo. A missão deste capuchinho estigmatizado foi lembrar ao mundo que o sofrimento, a dor, têm um valor redentor e são um ingrediente essencial na vida cristã.

As duas coisas que mais pediu Nossa Senhora foi a oração e o sacrifício. Ela deixou bem claro que não procurava penitências extraordinárias, tais como o uso de correntes, etc. Ela pediu a mesma coisa que pediu em Fátima, nomeadamente, aceitar as coisas desagradáveis e difíceis que fazem parte das nossas tarefas diárias e aceitá-las sempre de boa vontade: não se irritar no trânsito, e outras situações do dia-a-dia. Ser paciente e ouvir sempre com amor. Todos os pormenores da nossa vida diária oferecem-nos abençoadas oportunidades para sofrer e realizar penitência, e estes é que são os sacrifícios que Nossa Senhora pediu em Garabandal. Nas nossas orações matinais, nós devemos saber oferecer-Lhe todas as preciosas ocasiões de sofrimento que possamos ter durante esse dia. Essas acções representam um enorme potencial para o nosso próprio crescimento espiritual e também para receber especiais bênções para os nossos mais entes queridos, na Igreja e nos Sacerdotes, e em todo o mundo.

 

Pensar na paixão de Jesus

 

A Paixão de Jesus lança os seus raios luminosos por toda a vida e obra do Nosso Salvador. Essa vida e obra foram todas realizadas com amor e esse amor atingiu o seu maior pico durante a sua Paixão e na cruz. Grande parte do mistério do amor de Deus teve a ver com a Sua grandeza. Em relação a isto, nós como humanos não conseguimos alcançar. No entanto, Deus quer que façamos todo o esforço possível para que possamos penetrar no Seu mistério do amor. A melhor forma de o fazermos será pensarmos na paixão do Seu divino Filho, Jesus. Jesus veio ao mundo para revelar o amor de Deus e a revelação desse amor foi realizado através da Paixão, do enorme sofrimento que Jesus suportou por cada um de nós.

 

É por isso que o espírito Santo inspirou a Igreja para adoptar o crucifixo e introduziu a devoção do caminho da cruz (via-sacra). Isto porque o diabo sabe bem que é através desta forma que nós podemos alcançar o mistério do amor de Deus, ele está a travar uma batalha para nos levar a afastar do amor de Deus. Como as pessoas bem-intencionadas, ele não trava um ataque directo, ele procede de forma subtil sugestionando algumas verdades parciais, trazendo para a nossa mente o racionalismo humano que faz obscurecer a nossa fé. E que enorme sucesso este grande enganador tem tido no mundo de hoje!

 

Nós temos que voltar atrás novamente e começar a venerar o crucifixo nas nossas casas. É o sinal da derrota do diabo e o triunfo e a garantia da bênção e da protecção de Jesus. Temos que voltar atrás e fazer o caminho da cruz, especialmente às sextas-feiras, em especial na quaresma. E temos também que nos relembrar sobre algumas coisas relacionadas com o caminho da cruz. Esta devoção foi originalmente introduzida não só com o propósito de ganhar indulgências, mas para encorajar as pessoas para aproveitarem esse tempo para pensarem no sofrimento do Nosso Salvador e para colher os benefícios que possamos tirar dessas mesmas reflexões.

A paixão do Nosso Salvador é retratada no caminho da cruz. As pinturas e as imagens que se encontram nas paredes das nossas Igrejas e as meditações que podemos encontrar nos vários livros de oração podem-nos ajudar nas nossas próprias reflexões quando paramos em cada uma das suas estações. Voltemos atrás em relação à intenção original da Igreja. Vamos ver no caminho da cruz uma oportunidade de pensarmos na Paixão de Cristo, na reflexão do grandíssimo amor que o Nosso Salvador nos mostra por diversas ocasiões através de muitas e diversas formas. Ele fez isso de boa vontade por todos nós. Se não tiveres tempo para rezares ou fazeres a oração em cada estação, não faças com que isso seja impedimento para realizares esta prática.

 

Se tiveres só tempo para reflectires apenas uma ou poucas estações, então faz dessa maneira. Temos que nos fazer lembrar que, independentemente da forma como rezamos, o que interessa é a qualidade e não a quantidade de orações. Ao pensarmos de forma profunda e séria numa única estação, esse gesto pode inspirar o amor de Deus e o desejo de sermos bons nas nossas vidas como resposta a esse mesmo amor.

Uma última sugestão em relação àquilo que foi dito anteriormente, não se tem obrigatoriamente que ir a uma Igreja para fazermos o caminho da cruz. Lembra-te, o que deves realmente procurar é aprender mais e mais em relação ao amor de Jesus. Podes obter tudo isso quando usares um livro de orações em tua casa e pensares algum tempo em reflectires no mistério especial do sofrimento e amor que é adequado a cada estação.

Orações, visitas ao Santíssimo Sacramento, penitência, sacrifício e o uso do crucifixo e do caminho da cruz (Via-sacra) para pensares na paixão de Jesus - todos estes são os meios para o cumprimento daquilo que Nossa Senhora exortou em Garabandal no sentido de termos vidas boas.

 

 

 

 

 

Traduzido para português pelo apostolado de Garabandal em língua portuguesa