18 de Junho de 1961

A aparição do anjo S. Miguel em Garabandal

Esta foto indica o local " calleja" onde as videntes viram pela primeira vez o Anjo S. Miguel.

"Estávamos justamente a comer as maçãs - conta ainda Conchita - quando ouvimos um ruído como de trovão, e todas a um tempo exclamamos:

"Parece que troveja."

Deve ter sido um trovejar um pouco estranho. Embora acostumadas a ouvir esses barulhos em pleno silêncio da natureza, naquele dia pareceu-lhes diferente. Tanto mais que, ao olharem na direçcão da Peña Sagra - um imponente maciço de 2.042 metros, que fecha por um lado o horizonte de Garabandal, e que muitas vezes aparece coroado de escuras e pesadas nuvens, de onde geralmente vêm as trovoadas - nada viram de especial. Que teria sido?

O ardente sol de verão já se inclinava sobre o horizonte, e todos os relógios da Espanha estavam prestes a dar as oito e meia.Nas quatro pequenas pecadoras, que acabavam de vir de uma aventura nada santa, aquele misterioso trovão soava como uma voz de Deus.

"Que desgraça!" - exclamou Conchita, " Agora que comemos as maçãs roubadas, o demónio deve estar contente."

"E o nosso anjo da guarda, bem triste." - acrescentou outra.

Conchita teve assim uma ideia:

"Para consolar ao anjo, vamos atirar pedras no diabo."

E na sua ingenuidade de pequenas montanhesas, juntaram umas pedras e começaram a dispará-las com toda a força para a esquerda, onde achavam que devia estar o diabo.

Cansadas de atirar pedras "e com a consciência mais tranquila, resolvemos jogar cinco-marias". Essa tranquilidade, porém, não durou muito, diante de algo estranho e terrificante que logo as dominou. É a própria Conchita que relata em seu Diário, iniciado em setembro de 1962: "De repente apareceu-me uma figura muito bonita, envolta numa luminosidade que em nada me feria a vista". A sua cabeça caiu para trás, com os olhos fixos nas alturas. "Jacinta, Loli e Mari-Cruz, ao verem-me nesse estado, pensaram que me tinha dado um ataque, porque eu, de mãos juntas, repetia: 'Ai! Ai! Ai!' Quando elas, apavoradas, iam chamar minha mãe, aconteceu o mesmo com elas".

Levantando os olhos na direçcão indicada por Conchita, exclamaram juntas:

"O anjo!"

Houve um curto silêncio, mergulhadas todas na mesma contemplação, e o anjo desapareceu.

A visão durou meia hora sem dizer uma palavra. No entanto, era com esta presença silenciosa que começava a história "mais maravilhosa da humanidade, depois do nascimento de Jesus", citação do Papa Paulo VI.

O relato de Conchita vem completado pelo de João Álvarez Seco, comandante da guarda civil:

"Umas meninas" - conta ele , "que também brincavam por perto, ao verem as quatro naquela estranha posição, puseram-se a jogar-lhes pedras; então o anjo afastou-se uns 50 metros acima da mesma calleja. Uma vez ali, enquanto durava a sua posição estática de joelhos, quis passar por entre elas um morador da vila, que vinha do lado de cima, do monte, com um favo de mel na mão; vendo que não se arredavam para o deixar passar, e sem se aperceber do que estava acontecendo, ficou aborrecido com a 'pouca atenção daquelas meninas".

Depois de se cruzar por elas, virou-se para trás e fitou-as mais atentamente. E grande foi a sua surpresa ao verificar que continuavam na mesma posição. Conta ele que, de noite, quase não conseguiu dormir, pensando naquilo tudo que lhe parecia tão estranho.

Na verdade o Anjo iria preparar os videntes para o encontro com a Virgem Maria, que iria passar-lhes as mensagens ao mundo, bem como profecias sobre o Final dos Tempos.

A aparição do anjo S. Miguel. Os dias seguintes...

Aqui explicamos com mais detalhe sobre os acontecimentos que ocorreram com a primeira aparição do anjo S. Miguel em Garabandal. O anjo apareceu 9 vezes às meninas até ao dia 1 de Julho de 1961.

Descrição do anjo

"Apareceu com uma túnica Azul, com asas que pareciam serem feitas de fogo, era uma bonita pessoa, rodeada de uma luz muito forte, que não incomodava os nossos olhos, dava a sensação de ter nove anos, mas parecia ser muito forte. Parecia ser um rapaz novo, mas perante ele, nós sentíamos por ele um grande respeito."

21 de Junho de 1961

Visão de um quadro luminoso

Parecia como uma luz vermelha ou fogo, na qual tinha dentro um triângulo, um olho e um texto, as letras estavam escritas numa forma de estilo arabesco."Depois deste acontecimento ter acabado, o Anjo apareceu."

" Os puros de coração verão Deus..."

Nota 1: Tudo leva a crer que se trate do nome de Deus " Yahweh". Esta visão é única na história de todas as visões Marianas. Faz-nos lembrar o famoso episódio da sarsa ardente.

22 de Junho de 1961

Neste dia, o Anjo volta a aparecer, logo após as meninas terem acabado de recitar o rosário. Os seus êxtases foram presenciados pelo Padre Local Valentin Marichalar e por vários populares (a noticia sobre estes acontecimentos espalha-se pelas aldeias vizinhas). O mesmo informou o administrador apostólico sobre o sucedido nesta pequena aldeia. O padre Valentin Marichalar era o Sacerdote que ministrava no Cosio, aldeia onde vivia e que distanciava em cerca de 8 km da aldeia vizinha de Garabandal.

Este sacerdote conhecia bem as meninas e suas famílias. Observou sempre bem de perto, desde o seu começo, todos estes acontecimentos supernaturais, onde chegou a expressar mais tarde a sua opinião sobre o assunto de forma positiva. Uma vez informado sobre os factos ocorridos, ele começou desde o dia 19 de Junho a questionar as meninas de perto e de forma paciente. Don Valentin esteve pela primeira vez presente num êxtase das meninas no dia 22 de Junho.


Juan Alvarez seco, membro da Guardia civil presente no dia 23 de Junho de 1961 em Garabandal.


24 de Junho de 1961


"A mensagem escrita"

Mal as meninas tinham acabado de chegar à " calleja", quando o Anjo mostrou-se ele próprio às meninas. Neste dia, o anjo as meninas apercebem-se que ele trazia uma mensagem escrita com ele. Só conseguiram decifrar apenas algumas letras do género " Há que..." e a última linha dos números romanos, " XVIII -MCM-LXI..." As crianças mais tarde aprenderam de Nossa Senhora que isto tratava-se de uma mensagem. A palavra mensagem era claramente usada pelo Anjo, pela Nossa Senhora, para designar, tal como na Bíblia, a palavra de Deus (Yahweh) ao seu Povo. Esta aparição ocorreu no dia do São João Baptista.


Nesta imagem, podem observar uma pequena vedação de madeira que envolve e protege as meninas do resto das pessoas. Chamou-se a isso, " o quadro".


1 de Julho de 1961

Conversa com o Anjo

Como se sabe das aparições em Fátima, o Anjo apareceu em Fátima por três vezes em 1915 e outras três em 1916. Em Garabandal, este tipo de manifestações foi bem mais numerosa. Foi este mesmo anjo que lhes deu a Eucaristia, que lhes entregou as mensagens de Nossa Senhora e que apareceu às meninas de Garabandal nestes primeiros 9 dias. No entanto, só foi neste dia que o Anjo falou às meninas pela primeira vez.

O anjo disse" Sabem porque é que eu vim?" e as crianças responderam " Não". E o anjo disse novamente: " Eu vim para vos dizer que amanhã Domingo, a Virgem Maria irá aparecer sobre o título de Nossa Senhora do Carmo ". E voltou a falar: " Sabem o que está escrito na mensagem que trago na placa? " A virgem Maria ir-vos-á comunicar amanhã".

Nota: A segunda sessão do Concílio Vaticano II, foi aberta no dia de Festa do Anjo S. Miguel, dia 29 de Setembro.

19 de Junho de 1961


No dia a seguir ao aparecimento do Anjo, as quatro meninas deslocaram-se ao mesmo local onde o tinham visto pela última vez. Naquele momento, já toda a aldeia sabia sobre a notícia da aparição do Anjo. Rezaram o rosário, mas o Anjo não apareceu. A professora que estava com elas, disse-lhes: "Se foi realmente o Anjo, ele há-de aparecer novamente." No entanto, por volta das dez da noite, quando rezavam as suas orações, cada uma delas ouviu no seu quarto uma voz que disse:


" Não tenhas medo! Tu irás ver-me outra vez"



20 de Junho, 1961

Depois de terem ido à escola pela parte da manhã, já pelo fim da tarde, as meninas decidiram ir à " calleja "[1]. Chegadas lá, e após terem terminado de rezar o rosário, o Anjo ainda não tinha aparecido. Começaram a descer pelo caminho, quando de repente, " quando de repente, nós vimos uma luz muito brilhante que se escondia de nós de um sitio para o outro. Nós ficamos completamente tontas com a luz e começamos a gritar, pois estávamos assustadas. No entanto a luz já tinha desaparecido."

Nota1: Este acontecimento só pode ser comparado com o que é citado no tema do antigo testamento " a nuvem brilhante ", que denota a segunda das quatro manifestações do " Shekinah", que quer dizer em Hebreu, a presença de Deus. Relata sobre o aspecto feminino da Santíssima Trindade, " uma nuvem que segue as crianças de Israel no deserto". Significa também uma nuvem de luz de dia e uma coluna de fogo de noite que guiava os Israelitas ao Monte Sinai. Também na Transfiguração de Cristo, a nuvem representa o sinal da presença de Deus.

Nota 2: Conchita disse, no dia 13 de Abril de 1963, que no dia do Milagre "um pilar de fumo e fogo..."


23 de Junho de 1961

A chegada da Guardia civil

A seguir ao êxtase desta sexta-feira, o Padre Valentin Marichalar questionou as meninas separadamente. No fim da sua análise, ele declarou que as suas respostas coincidiam todas na perfeição.

Segundo o próprio:


"Até ao momento presente, tudo parece indicar que vem de Deus."

Logo a seguir decide ir a Santander informar ao seu superior hierárquico o Monsenhor Doroteo Fernández, sobre todos os acontecimentos ocorridos em Garabandal. Foi neste dia que chegou Juan Alvárez Seco, o sargento da guarda civil, responsável pela manutenção da ordem em Garabandal durante o período das aparições.

Tudo o que este sargento viu e testemunhou tocou-lhe de forma bastante profunda, dado que o próprio teve que assistir a uma grande parte dos êxtases das meninas. Mais tarde acabou por afirmar que os acontecimentos ocorridos em Garabandal acabaram por ter um grande impacto positivo na sua vida cristã. O Sargento deu sempre o seu melhor contributo no sentido de proteger as quatro meninas. Por exemplo, ele colocava sempre dois guardas-civis, vinte e quatro horas por dia em Garabandal. As notícias sobre estes acontecimentos espalhavam-se sempre cada vez mais. No final do mês de Junho, multidões de pessoas concentravam-se nesta pequena aldeia.


25 de Junho de 1961

"O quadro "

Neste dia, Domingo, alguns jovens da aldeia, construíram protecção rectangular através de troncos de madeira, com o objectivo de proteger as crianças das multidões de pessoas que se concentravam ali. Apenas os familiares, Padres, médicos, psiquiatras é que podiam passar essa barreira. Esta pequena barreira chamava-se de " quadro".

29 de Junho de 1961

Sagrado Coração de Jesus

Eram 8:30 da tarde, quando o Anjo apareceu às meninas. Nesse mesmo instante, Jacinta olha para o lado e vê a figura de Jesus, que estava situado num lugar um bocadinho mais acima do sítio onde as suas amigas se encontravam. Jesus aparece a Jacinta, precisamente no mês de Junho, mês consagrado ao sagrado coração de Jesus, e precisamente no dia 29 de Junho, o mesmo dia em que Jesus apareceu a Santa Faustina, e no dia de festa de S.Pedro e S. Paulo. Com a Sua mão direita, Ele apontava para o seu coração

Nota: Nas três vezes que apareceu Jesus a Jacinta, tanto o Anjo como Nossa Senhora não apareceram. Uma profunda lógica espiritual!